Análise da Fundação ABC revela crescimento significativo na doença nas lavouras do Paraná e São Paulo

A incidência da ferrugem asiática da soja cresceu 277% em setembro de 2026, segundo análise da Fundação ABC, que representa as cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal. O estudo foi feito em áreas de amostragem nos Estados do Paraná e São Paulo.
Os pesquisadores do estudo identificaram que a incidência da doença subiu de 12,5% em setembro de 2025 para 47,2% no mesmo período de 2026, um aumento de 34,7 pontos percentuais. "É um contraste muito grande e o produtor vai plantar com uma pressão de inóculo muito maior em comparação à safra anterior, já em decorrência do El Niño", afirma Giovanni Kochinski, pesquisador da Fundação ABC.
✨ Com o plantio em andamento, a recomendação é que os produtores estejam atentos às janelas de aplicação dos fungicidas devido ao aumento da incidência da ferrugem.
Giovanni Kochinski ainda comenta que geadas fracas durante o período de vazio sanitário ajudaram a manter plantas de soja da safra passada que poderiam ter morrido, permitindo que o fungo causador da ferrugem prosperasse. Além disso, as condições climáticas propiciadas pelo El Niño, com maior precipitação e umidade, tornaram o ambiente ideal para o desenvolvimento do inóculo inicial do fungo.
Diante do aumento da incidência, Kochinski alerta que a situação pode impactar o controle da doença, especialmente com previsões de chuvas mais frequentes nos próximos meses. A principal recomendação ao produtor é realizar aplicações de fungicidas em dias ensolarados e respeitar os intervalos entre aplicações para evitar que as culturas fiquem desprotegidas.
Geraldo Morsink, produtor de soja em Piraí do Sul, ressalta a importância de seguir as orientações da Fundação ABC. Ele tem monitorado as condições climáticas e ajustando suas práticas agrícolas para manter a produtividade. Morsink, que planta em 230 hectares, está atento às doenças e investe em fungicidas, apesar do aumento de custos com insumos.
Por outro lado, Leendert de Geus, de Tibagi, enfrenta dificuldades no manejo devido à interrupção das atividades por conta das chuvas intensas, que dificultam o controle de ervas daninhas. Ele também antecipa o plantio como estratégia para minimizar os riscos associados à ferrugem e planeja o uso de drones para aplicações aéreas de fungicidas.
O monitoramento da ferrugem asiática, conduzido pela Fundação ABC entre 18 e 24 de setembro, mostrou focos do patógeno com severidade superior a 10% em várias localidades, incluindo Itaberá, Itapeva e recursos nas regiões de Sengés e Carambeí. Kochinski destaca que o manejo deve ser preventivo desde o início do ciclo da soja.
Kochinski também observou que a aplicação de fungicidas deve respeitar o tempo de competência, com intervalos entre 6 a 8 horas antes da primeira chuva para garantir a eficácia do tratamento. Espera-se que a evolução da ferrugem asiática cause perdas significativas na produção, podendo afetar até 80% da lavoura.
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