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Agronegócio
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Brasil atinge 50% da cota de carne bovina na China em 2026

Impasse com tarifas pode afetar frigoríficos brasileiros

Mariana Souza10 de maio de 2026 às 13:10
Brasil atinge 50% da cota de carne bovina na China em 2026

O governo chinês anunciou que as importações de carne bovina do Brasil chegaram a 50% da cota estabelecida para o ano de 2026, totalizando 1,1 milhão de toneladas. Com isso, uma taxa adicional de 55% será aplicada assim que a cota for totalmente preenchida.

O Brasil é o segundo país a atingir 50% da cota, após a Austrália.

Em março, a Austrália já havia alcançado essa marca com 205 mil toneladas. O governo da China notifica os fornecedores quando as importações atingem 50%, 80% e 100% da quantidade permitida. Dados recentes indicam que, entre janeiro e março de 2026, a China importou 869 mil toneladas de carne bovina de diversos fornecedores, representando pouco mais de 32% da cota geral de 2,6 milhões de toneladas estipulada.

As exportações brasileiras cresceram para 512 mil toneladas no primeiro trimestre, subindo para 46,3% da cota. Os dados de abril ainda não foram divulgados. Enquanto isso, as vendas dos Estados Unidos para a China caíram drasticamente, com apenas 544 toneladas exportadas nos primeiros meses do ano, muito abaixo das 164 mil toneladas autorizadas.

A Argentina preencheu 27,5% da sua cota até março; já o Uruguai alcançou 14,67% e a Nova Zelândia pouco menos de 14%.

Expectativas para o setor

Embora o comércio entre Brasil e China continue normalmente, frigoríficos brasileiros preveem o esgotamento da cota em breve, o que poderá impactar o ritmo de abates. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que a cota poderá ser totalmente preenchida entre 15 de maio e 15 de junho.

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As empresas estão se esforçando para manter a proximidade com os importadores, independentemente das cotas.

Roberto Perosa, presidente da Abiec.

Na última coletiva, Perosa também destacou que os preços da arroba do boi são influenciados pela aceleração da produção visando a cota chinesa. Ele alertou que, se os volumes não forem flexibilizados, o mercado pode enfrentar dificuldades para absorver a carne que deixará de ser enviada para os chineses.

Dados de exportação

No acumulado de janeiro a abril, o Brasil exportou 1,091 milhão de toneladas de carne bovina, um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025.

A receita gerada nesse período atingiu US$ 6,047 bilhões, o que representa um crescimento de 32,8%. A China lidera as compras, com 474,2 mil toneladas adquiridas e gerando uma receita de US$ 2,724 bilhões, representando 43,5% do volume total exportado pelo Brasil.

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