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Agronegócio
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Brasil perde acesso à exportação de carne bovina para a UE

Decisão limita exportação de carne devido a não conformidade com normas sanitárias.

Giovani Ferreira06 de junho de 2026 às 08:25
Brasil perde acesso à exportação de carne bovina para a UE

A União Europeia decidiu oficialmente excluir o Brasil da lista de países que atendem às suas normas sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, suspendendo as exportações de carne bovina a partir de 3 de setembro de 2026.

O comunicado foi divulgado na última sexta-feira (5), e a medida se deve à falta de informações suficientes que comprovem a conformidade da carne brasileira com os requisitos exigidos pela Comissão Europeia. Os antimicrobianos são usados para tratar animais, mas alguns também são utilizados como promotores de crescimento.

O Brasil saiu da lista de exportação de carne bovina, frango, cavalo, tripas, peixe e mel para a UE.

Na última lista divulgada para 2024, o Brasil constava como apto a exportar diversos produtos. Agora, com essa nova decisão, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, continuam autorizados a exportar para a União Europeia.

Entendendo os antimicrobianos

A proibição se aplica a antimicrobianos considerados prejudiciais quando utilizados para promoção de crescimento animal. Entre eles estão substâncias como virginiamicina, avoparcina e espiramicina. Em abril, o Brasil já havia restringido a importação e uso de alguns desses produtos.

A possibilidade de reverter essa proibição exige que o Brasil tome medidas legais para limitar o uso desses medicamentos ou comprove que a carne destinada à exportação não contenha mais essas substâncias. O desafio de implementação é significativo, com implicações em rastreabilidade e custos.

Contexto da Proibição

A medida da UE foi discutida desde 2019 e reflete preocupações mais amplas em relação ao controle sanitário e certificação de produtos alimentícios.

A União Europeia é um mercado crucial para as exportações de carne do Brasil, sendo o terceiro maior comprador em volume, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Para as carnes em geral, o bloco é o segundo maior mercado.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirma que o Brasil atende a todos os requisitos sanitários exigidos pelos principais mercados internacionais e deverá apresentar essa conformidade às autoridades europeias.

Os representantes do setor agrícola destacam a robustez do sistema de controle sanitário do Brasil, além da importância do diálogo com a UE para evitar a imposição de barreiras comerciais.

A decisão da UE ocorre em um momento delicado, logo após a assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul, gerando preocupações entre produtores locais sobre a possibilidade de que o acordo se transforme em barreira comercial.

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