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Bloqueio às carnes brasileiras gera diálogo com a União Europeia

Conselheiro destaca esforço conjunto para reverter situação antes de setembro

Carlos Silva18 de junho de 2026 às 14:35
Bloqueio às carnes brasileiras gera diálogo com a União Europeia

Nesta quinta-feira, Damian Lluna, conselheiro da Representação Europeia no Brasil, revelou que um novo mecanismo de diálogo entre Brasília e a Comissão Europeia foi criado para abordar a possível proibição das exportações de carnes brasileiras. Este esforço visa solucionar a questão antes que um veto, que poderá ser implementado a partir de 3 de setembro, entre em vigor.

Diálogo e engajamento

O novo canal de comunicação foi anunciado após a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante o encontro do G-7 na França esta semana. "Esse novo mecanismo sinaliza um comprometimento claro da parte europeia em colaborar com o Brasil para reverter essa situação preocupante", afirmou Lluna durante sua participação no Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

A proibição das exportações pode ser aplicada devido à falta de garantias do Brasil sobre o uso de antimicrobianos na produção de carne.

Lluna mencionou que, atualmente, equipes técnicas da UE estão realizando negociações ativas com o Ministério da Agricultura brasileiro para tratar das preocupações levantadas. No entanto, ele também lembrou que as regras sobre antimicrobianos não são uma novidade, tendo sido estabelecidas pela UE desde os anos 2000 e aplicáveis a todos os exportadores desde 2022.

A rota a seguir

O conselheiro sublinhou a importância de o Brasil investir em rastreabilidade de seus produtos, uma área onde outros países como o Uruguai já avançaram consideravelmente. "Com um rebanho de quase 200 milhões de cabeças, o Brasil enfrenta um desafio significativo, mas também possui um grande potencial. Investimentos nessa área podem transformar desafios em oportunidades", destacou.

Além disso, Lluna destacou que o Brasil é um dos principais fornecedores de produtos agrícolas para a UE e que existe a possibilidade de expandir essas relações comerciais, especialmente com o novo acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.

Perspectivas e desafios

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, acrescentou que a ameaça de veto da UE, embora tecnicamente fundamentada, também reflete uma postura protecionista. Ele enfatizou que o Brasil deve agir rapidamente para comprovar que cumpre as regulamentações necessárias. "Temos condições de provar que seguimos as normas, mas isso deve ser feito com urgência, especialmente antes do prazo de 3 de setembro", defendeu.

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