A crescente instabilidade climática altera concessões financeiras no setor

Nos últimos anos, a questão do clima se transformou em uma preocupação primordial para os produtores rurais no Brasil. As dificuldades no acesso ao crédito e o aumento nos preços dos seguros têm gerado um cenário desafiador, especialmente com o aumento significativo de eventos climáticos extremos.
De acordo com dados do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, o número de eventos climáticos extremados no Brasil passou de 2.962 em 2020 para impressionantes 6.772 em 2023. A Confederação Nacional das Seguradoras estima que, entre 2022 e 2024, os danos causados por esses fenômenos tenham gerado prejuízos que somam R$ 180 bilhões, afetando em grande parte o agronegócio.
✨ No novo contexto, as instituições financeiras começaram a considerar não apenas o histórico de produção, mas também a previsão climática e a gestão de riscos ao conceder crédito rural.
Fenômenos como El Niño e La Niña também impactam diretamente a produtividade, o que complica ainda mais a capacidade de pagamento dos agricultores. Nesse panorama, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) se torna essencial, pois determina as janelas de plantio e pode influenciar diretamente nas coberturas dos seguros agrícolas.
Caso um produtor realize o plantio fora do calendário estabelecido pelo ZARC e enfrente perdas devido a eventos climáticos, as seguradoras podem se recusar a pagar as indenizações. A jurisprudência atual respalda essa posição, desde que haja compliance com as diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Os cortes nos subsídios ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que cortaram o orçamento de R$ 1,01 bilhão para cerca de R$ 473,8 milhões em 2026, contribuíram para o aumento dos custos de seguro neste momento de instabilidade climática.
Diante desse cenário, o seguro paramétrico, que utiliza dados de satélite para determinar indenizações com base em gatilhos climáticos, tem ganhado popularidade. O número de apólices nesse segmento saltou de apenas quatro em 2021 para 171 em 2024, alcançando um montante total de R$ 21,6 milhões.
Contudo, para uma adoção efetiva e confiável dessa modalidade, é necessário um histórico robusto de dados meteorológicos, que ainda é deficiente no Brasil. As reformas na concessão de crédito e as diretrizes sobre o ZARC surgem como respostas às dificuldades estruturais enfrentadas no agronegócio brasileiro.
Infelizmente, as inovações recentes não substituem a necessidade de um suporte estatal mais consistente e eficaz para proteger os produtores rurais, que lutam para se adaptar às novas circunstâncias climáticas.
"A verdadeira mudança necessária no agronegócio brasileiro depende de políticas públicas estáveis e acessíveis que possam garantir a proteção dos agricultores em tempos de crise.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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