Impactos das chuvas e qualidades dos grãos destacam-se na análise

Até o fim de julho, a colheita de café no Brasil conseguiu alcançar 76%, segundo avaliação feita pelo Rabobank. Desse total, 65% diz respeito ao café arábica e 98% ao robusta, embora o progresso esteja aquém do que se esperava.
Recentes chuvas nas regiões produtivas impactaram negativamente a produção e têm suscitado preocupações sobre a qualidade dos grãos. O Rabobank observa que parte do café que caiu em decorrência das chuvas pode perder qualidade, mas ainda não é possível mensurar a proporção exata dessa perda em relação à produção geral.
✨ A oferta de cafés finos pode ser restringida, já que as chuvas afetaram a produção em várias áreas do cinturão cafeeiro.
Além disso, algumas empresas relataram que o robusta enfrentou quebras de safra em algumas localidades, o que pode levar a revisões nas estimativas de produção. Segundo o Rabobank, esses impactos já eram esperados nas projeções, baseadas em visitas a campo realizadas em estados como Espírito Santo e Rondônia.
As exportações de café também mostram reflexos da lentidão na colheita. Em junho, o Brasil exportou 3,06 milhões de sacas, uma pequena queda de 1% em comparação a maio, quando foram enviadas 3,09 milhões de sacas. No entanto, em relação a junho de 2025, houve um aumento significativo, com uma exportação de 2,61 milhões de sacas em 2025.
No total, de janeiro a junho de 2026, o Brasil embarcou 17,8 milhões de sacas, uma redução de 8,2% em relação às 19,4 milhões de sacas exportadas no mesmo período do ano anterior. O Rabobank acredita que, apesar do atraso atual, as exportações devem aumentar substancialmente nos próximos meses.
No mercado internacional, o café arábica manteve uma alta volatilidade, com média de US$ 3,29 por libra-peso, embora tenha perdido alguma correlação com os preços físicos no mercado brasileiro. Em julho, o contrato em Nova York fechou a US$ 3,32 por libra-peso. Enquanto isso, o preço do café Cerrado Peneira 6 foi de R$ 1.767 por saca, enquanto o Sul de Minas Tipo 6 ficou em R$ 1.716.
Algumas cidades produtoras do Brasil registraram chuvas acima da média histórica. Por exemplo, Guaxupé (MG) teve 54 mm, quando a média é 18 mm, e Manhuaçu (MG) alcançou 49 mm, comparado a uma média de 12 mm.
O cenário das chuvas, aliado ao progresso da colheita e à qualidade dos grãos, continuam a ser pontos de atenção no mercado, especialmente diante da expectativa de aumento nos embarques brasileiros.
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