Dificuldades no abastecimento dos moinhos e renegociações de contratos são registradas.

A colheita de trigo no Sul do Brasil enfrenta sérias dificuldades ligadas à qualidade dos grãos, o que está comprometendo o abastecimento dos moinhos e provocando renegociações de contratos. Segundo a TF Agroeconômica, a presença de DON, uma micotoxina prejudicial à utilização do cereal, e a perda de qualidade industrial, estão limitando a comercialização.
No Rio Grande do Sul, a Emater informa que cerca de 9% da área já foi colhida, enquanto especialistas do mercado projetam um avanço de apenas 4% até a última semana. A situação não melhorou nesta semana, e os lotes estão apresentando níveis elevados de DON, que restringem as negociações.
✨ Atualmente, o trigo da safra anterior é ofertado a R$ 1.600 por tonelada, mas compradores estão oferecendo apenas R$ 1.550, enquanto negócios pontuais para a nova safra ocorrem a R$ 1.400. Em Panambi, o preço da saca permanece em R$ 75.
Em Santa Catarina, a escassez de trigo de qualidade intensifica o interesse por importações. Os moinhos estão enfrentando dificuldades de abastecimento e aplicando aumentos de 11,5% nas tabelas de farinha, considerados insuficientes para cobrir as necessidades. A Epagri prevê uma redução de 35% na área cultivada e uma queda de 2,5% na produtividade, levando a produção estimada a 243 mil toneladas, o que representa uma queda de aproximadamente 37% em relação à safra anterior.
No Paraná, a situação também é preocupante; parte do trigo colhido apresenta baixo peso hectolítrico e diversos problemas de qualidade, e algumas lavouras estão até sofrendo germinação dos grãos ainda no campo. Os produtores estão buscando renegociar contratos, e os moinhos aplicam descontos conforme a classificação do trigo. A oferta de trigo Tipo 1 está se tornando cada vez mais restrita.
Para entregas em outubro, a cotação é de R$ 1.500 por tonelada, caindo para R$ 1.450 em novembro. Neste cenário, o trigo importado começa a ganhar espaço no mercado, com ofertas do Paraguai a US$ 320 e da Argentina a US$ 325 por tonelada, tornando o câmbio um fator importante nas decisões de compra.
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