Alerta vai para Ministério da Agricultura diante do aumento das compras externas

As importações de morango congelado no Brasil aumentaram consideravelmente, elevando preocupações entre os produtores do setor. Em 2026, o país adquiriu cerca de 34 mil toneladas do produto entre janeiro e julho, um salto de quase 35% comparado ao mesmo período de 2025.
Dados da Comex Stat/MDIC revelam que a maior parte das importações, cerca de 93,4%, teve origem no Egito. Este crescimento expressivo levou a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) a se manifestar, enviando ofícios aos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, alertando sobre as repercussões desse aumento nas compras externas na produção interna.
✨ O preço do morango congelado importado caiu para US$ 0,75 por quilo em julho, tornando-se uma ameaça competitiva para produtores brasileiros.
Com o aumento das importações, o preço médio do morango congelado caiu, alcançando um mínimo de US$ 0,75 por quilo em julho. Em contraste, os custos de produção no Brasil variam entre R$ 8,34 e R$ 8,51 por quilo, dificultando ainda mais a sobrevivência dos produtores nacionais, especialmente durante o pico da safra, que se aproxima.
Outro fator preocupante é o efeito das importações na indústria de processamento. Os morangos que não atendem aos padrões para venda in natura, normalmente, vão para essa indústria. A substituição da matéria-prima brasileira pelos importados reduz o espaço de mercado disponível para os produtores nacionais, prejudicando suas vendas.
✨ Em Atibaia, até 25% da produção pode ser direcionada para o processamento, o que preocupa os agricultores.
A natureza perecível do morango intensifica a vulnerabilidade dos produtores, que enfrentam pressões de preço ainda mais fortes com o aumento das ofertas importadas no mercado. Isso torna a rápida comercialização fundamental, mas também arriscada, em época de colheita.
Os acordos comerciais com o Egito, que reduzem tarifas, também permitem adoção de medidas de salvaguarda. O Brasil possui mecanismos legais para investigar se as importações estão causando danos à produção local, porém, as preocupações permanecem.
A Faesp tem solicitado aos ministérios um monitoramento constante das importações, além de avaliações técnicas para entender os impactos sobre a produção nacional e promover um diálogo construtivo entre todos os envolvidos no setor.
✨ A preservação da competitividade da produção nacional e a proteção da renda dos agricultores são prioridades para a Faesp.
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