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Agronegócio
2 min de leitura

Déficit de armazenagem prejudica produção de soja no Brasil

Desafios na infraestrutura impactam lucros dos agricultores

Gabriel Rodrigues29 de julho de 2026 às 19:50
Déficit de armazenagem prejudica produção de soja no Brasil

O Brasil enfrenta um sério desafio na produção de soja devido à carência de instalações de armazenagem. Apesar de atingir recordes históricos de safra, a infraestrutura de armazenamento não acompanhou o crescimento, resultando em custos elevados e reduzindo a margem de lucro dos produtores.

Dados da Datagro indicam que, na última década, a produção nacional de grãos aumentou em média 6,5% ao ano, enquanto a capacidade de armazenagem cresceu apenas 4% ao ano. Esse descompasso gera um déficit superior a 130 milhões de toneladas, forçando muitos agricultores a venderem suas colheitas logo após a colheita.

Fabrício Rosa, diretor executivo da Aprosoja Brasil, enfatiza a importância do armazenamento, especialmente nas regiões do Centro-Oeste. "Ele proporciona segurança e permite ao agricultor escolher o melhor momento para comercializar seus produtos", ressaltou.

A falta de armazenamento já causou perdas estimadas em R$ 9 bilhões aos agricultores nos últimos quatro anos.

Embora a taxa de juros tenha sido reduzida para 9,5% no novo Plano Safra 2026/27, o acesso a crédito continua a ser um obstáculo significativo para investimentos em infraestrutura. De acordo com o analista Carlos Cogo, essa limitação tem um impacto direto nos custos operacionais e na logística do setor.

Cogo destaca que a ausência de capacidade de armazenagem encarece toda a operação logística, já que muitos produtores precisam retirar suas safras simultaneamente, sobrecarregando as rodovias e terminais. "A logística pós-colheita torna-se muito onerosa, aumentando a demanda por caminhões e frequentemente resultando no transporte inadequado das colheitas. Isso compromete a qualidade e eficiência dos produtos devido ao excesso de volume nas unidades de recepção", explicou.

Além das dificuldades operacionais, a carência de armazenagem limita a flexibilidade comercial dos agricultores, que acabam vendendo no período de maior oferta e enfrentando preços baixos, perdendo, assim, melhores oportunidades de negociação.

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