Desafios da gestão no agro: Iara Corrêa alerta produtores
Profissionalização da gestão é essencial para competitividade

Durante o programa 'Giro do Boi', transmitido nesta terça-feira (7), a especialista em gestão estratégica, Iara Corrêa, expôs os principais entraves que dificultam o avanço do agronegócio no Brasil.
Com quase duas décadas de experiência, Iara enfatizou que a capacitação dos produtores se concentrou apenas na produção, negligenciando a gestão do risco. "O produtor foi preparado para produzir, mas não para gerir o risco", destacou.
✨ A profissionalização da gestão é crucial para garantir a competitividade no agronegócio.
Ela alertou que a excelência na produção agrícola não é mais suficiente para assegurar a permanência no mercado. A profissionalização da gestão surge como a abordagem necessária para enfrentar as novas exigências, especialmente as que são impostas pela União Europeia.
Exigências do Mercado
Iara ressaltou que a qualidade do produto, como um 'boi bom', não é mais suficiente. O mercado demanda total transparência. Fazendas que não possuem documentação regularizada e registros formais para seus trabalhadores enfrentam riscos severos de embargo nos frigoríficos.
Para evitar recusas de cargas, os produtores precisam ter em ordem as escrituras, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e contratos de locação, garantindo assim a rastreabilidade do ciclo produtivo.
Além disso, apesar dos avanços tecnológicos na maquinaria, a falta de formalização na gestão de pessoas no campo continua sendo um grande obstáculo, resultando em gargalos tanto produtivos quanto sociais. Aproximadamente 60% dos trabalhadores rurais ainda atuam sem vínculos formais devido à baixa escolaridade e à natureza sazonal do trabalho.
Cultura de Pertencimento
A informalidade no trabalho rural também afasta os jovens do campo. Iara propõe a implementação de uma 'cultura de pertencimento', na qual os colaboradores se sintam parte do propósito do negócio. Essa filosofia ajuda na retenção de talentos e favorece a sucessão familiar.
Em suas considerações finais, Iara fez um importante apelo aos produtores rurais: a competitividade deve ser avaliada não apenas em termos de produtividade, mas pela capacidade de gerir riscos sociais e jurídicos. Sair da zona de conforto e adotar uma gestão estratégica é fundamental para a sobrevivência no mercado.
"Quem não cria estratégia, vira estratégia dos outros
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