Desafios da Pecuária Chinesa Impactam Mercado Brasileiro
A China enfrenta limitações na produção de carne bovina e amplia importações, afetando mercados globais.

Em 2025, a China abateu aproximadamente 51 milhões de bovinos, resultando em uma produção de cerca de 8 milhões de toneladas de carne. No entanto, o consumo nacional é superior a 11 milhões de toneladas anualmente, que gera uma significativa dependência do mercado externo, uma vez que 30% do total é importado.
Tensões no Sistema Produtivo
Os desafios sanitários, como a recente notificação de febre aftosa no país, evidenciam uma tensão constante entre a urgência de aumentar a produção e as limitações do sistema atualmente vigente, que impacta diretamente as exportações brasileiras de carne.
"A China precisa produzir mais, mas não consegue abrir mão de importar.
✨ Mais de 98% das propriedades pecuárias na China são pequenos negócios, com muitos produtores operando em baixíssima escala.
Contexto
Embora a produção chinesa seja pulverizada, o Brasil consegue produzir carne bovina em maior quantidade e qualidade, o que o posiciona favorablemente no mercado global.
Atualmente, cerca de 70% dos pecuaristas na China estão operando no vermelho, o que resulta em reduzido plantel e abates precoces. Essa vulnerabilidade estrutural resulta em um sistema cada vez mais exposto a problemas sanitários.
Para controlar essa desordem, o governo chinês impôs restrições às importações. Isso afetou o Brasil, que agora lida com volumes limitados. No entanto, fechar as portas não necessariamente resolve problemas fundamentais.
A experiência passada com a Peste Suína Africana serve como um alerta, já que a China se afastou para um modelo mais verticalizado na suinocultura. Contudo, na pecuária bovina, essa transição ainda está em progresso.
Com uma possível expansão da febre aftosa, o foco se voltará para garantir o suprimento interno, o que deve resultar em um incremento nas importações, criando oportunidades para o Brasil, que possui um sistema sanitário confiável e escala de produção.
A lição é clara: não existem soluções rápidas para a segurança alimentar. Quando ocorre uma falência na produção, o mercado se ajusta e aqueles que estão prontos para atender à demanda ganham espaço.
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Mariana Souza
Jornalista especializado em Agronegócio
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