Desafios e Oportunidades no Mercado Global de Carne Bovina em 2025
Com mudanças significativas nas dinâmicas de oferta, Brasil se reposiciona no comércio internacional.

Neste começo de ano, o setor global de carne bovina passa por transformações significativas, refletindo mudanças importantes entre os principais países envolvidos. Os Estados Unidos enfrentam a menor população de gado em 75 anos, enquanto a China impôs limites às importações de carne do Brasil.
Rebanho dos EUA e Oportunidades para o Brasil
Com o rebanho bovino americano reduzido para aproximadamente 86 milhões de cabeças, o nível mais baixo desde 1951, a situação é pressionada por longos períodos de seca e custos de produção elevados. Alcides Torres, diretor da Scot Consultoria, comenta que essa diminuição pode criar oportunidades para os produtores brasileiros, que têm demonstrado resiliência em meio a barreiras comerciais.
"A pecuária brasileira hoje é uma fortaleza. Quando os Estados Unidos aplicaram tarifas, nós navegamos sem muitos problemas
✨ Expectativa de importação dos EUA pode chegar a 400 mil toneladas.
Cota Chinesa e Riscos Potenciais
A China fez uma cota de 1,1 milhão de toneladas para carne brasileira, impondo uma tarifa de 12% dentro desse limite e uma sobretaxa de 55% além dele. Até agora, o Brasil já enviou 372 mil toneladas ao país asiático.
Torres prevê que, se o ritmo das exportações permanecer constante, a cota pode ser totalmente utilizada até o meio do ano. Apesar do crescimento nas exportações, o cenário observável é cauteloso, com a possibilidade de buscar novos mercados, como Vietnã e Hong Kong, onde não há tarifas sobre a carne bovina.
Os dois anos anteriores resultaram em produções recordes no Brasil, mas um recuo na produção pode ocorrer, ajudando a equilibrar a oferta no mercado.
Custos e Geopolítica no Comércio Internacional
A geopolítica impacta o comércio internacional, especialmente devido aos altos custos e tempos de transporte, que aumentam em áreas de conflito. Apesar disso, Torres acredita que o Brasil mantém uma vantagem competitiva com custos mais baixos e produtos de alta qualidade.
"Se todo mundo tiver que pagar mais caro, o Brasil continua competitivo, porque tem custo mais baixo, boa entrega e produto com maior durabilidade
O Brasil ainda se posiciona de forma estratégica no comércio global de carne bovina, conseguindo se adaptar a novas exigências e diversificar seus mercados. Atualmente, a China é a principal compradora, seguida por Estados Unidos e Chile.
✨ A abertura de novos mercados ajuda a mitigar riscos em situações de bloqueio temporário.
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Gabriel Rodrigues
Jornalista especializado em Agronegócio
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