Levantamento mostra que abelhas nativas são essenciais para a agricultura paulista.

No Dia Nacional das Abelhas, celebrado em 3 de outubro, a Fundação Florestal divulgou um levantamento que destaca como a preservação das abelhas nativas é fundamental para a produção agrícola e a economia de São Paulo.
As Unidades de Conservação que são geridas pela Fundação, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado, abrigam 32 espécies de abelhas nativas sem ferrão, totalizando aproximadamente 51% das espécies identificadas no estado.
O levantamento faz parte do Programa Abelhas Nativas da Fundação Florestal (PAN-FF), instaurado em 2020 e atualmente ativo em mais de 25 Unidades de Conservação. O programa busca converter o conhecimento sobre esses polinizadores em ações de conservação, educação ambiental e geração de renda.
✨ Além do monitoramento das espécies, o programa mantém cerca de 192 caixas racionais para estudo, reprodução e manejo sustentável das abelhas, além de implantar 30 meliponários educativos.
A preservação das abelhas impacta diretamente os ecossistemas, pois elas desempenham papel crucial na reprodução das plantas, essencial para a regeneração e manutenção da diversidade florestal.
Gustavo Feliciano Alexandre, gestor da APA do Carmo e coordenador do PAN-FF, enfatiza que conhecer a distribuição das espécies e sua interação com os ambientes é vital para traçar estratégias de conservação.
Estudos apontam que a importância das abelhas extrapola a conservação da biodiversidade. Uma pesquisa do BIOTA Síntese, em colaboração com a USP e outras instituições, revela que a melhoria no serviço de polinização pode gerar até R$ 4,2 bilhões anualmente para a economia paulista.
Conservar e recuperar a vegetação próxima às áreas agrícolas se mostra uma estratégia eficaz para aumentar o fluxo de polinizadores e, por conseguinte, aprimorar a produção.
Especificamente para as abelhas do gênero Melipona, a preservação de espécies ameaçadas, como a uruçu-amarela-do-cerrado e a uruçu-amarela da Mata Atlântica, é crucial, uma vez que utilizam cavidades nos troncos de árvores para os seus ninhos.
O programa também abrange ações de bioeconomia, atendendo comunidades tradicionais e pequenos produtores. Um exemplo é o PSA Juçara, focado na conservação e no manejo sustentável da palmeira-juçara, que beneficia as abelhas durante a polinização.
Atualmente, 61 famílias estão envolvidas com a criação de abelhas nativas, dispondo de 225 colônias e 450 ninhos-isca. A meta para 2030 é alcançar aproximadamente 3.400 colônias, promovendo também a produção de mel e própolis.
Além de apoiar a bioeconomia, o programa fornece assistência técnica a comunidades indígenas, realizando oficinas e atividades voltadas ao manejo das abelhas nativas.
A Fundação Florestal já conduziu várias rodadas de capacitação e promoveu ações de educação ambiental nas Unidades de Conservação, onde os meliponários são utilizados para conscientizar sobre a importância da polinização.
Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal, destaca que a abordagem de integrar conservação, restauração e bioeconomia potencializa os resultados nas áreas protegidas, gerando benefícios econômicos e sociais na região.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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