Proposta de renegociação de dívidas rurais pode ser atrasada novamente
Falta de consenso entre governo e setor produtivo pode adiar análise

A análise do projeto de lei 5.122/2023, que trata das renegociações de dívidas no setor rural, pode sofrer mais um adiamento devido à falta de consenso entre as partes envolvidas.
A discussão da proposta está agendada para a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal nesta terça-feira (26/5), mas passará antes por uma nova reunião da equipe econômica para discutir os detalhes e tentar um acordo sobre o texto final.
✨ O governo busca critérios mais rigorosos para os beneficiários do programa de renegociação, divergindo do relatório apresentado pelo senador Renan Calheiros.
Desafios da proposta de renegociação
Atualmente, não há um acordo estabelecido sobre os juros, valores finais e fontes de recursos para financiar a proposta. Embora uma medida provisória não esteja fora de cogitação, seria necessário um consenso que, segundo especialistas, parece improvável no momento.
O Ministério da Fazenda alertou que os critérios do texto são amplos, podendo incluir todos os municípios e praticamente todos os produtores rurais do Brasil, totalizando até R$ 1,39 trilhão em dívidas e custos para a União que atingiriam R$ 817 bilhões ao longo dos próximos 13 anos, sendo R$ 150 bilhões apenas em 2027.
"Com a prorrogação dos prazos de vencimento, não haverá retorno das operações vencidas em 2026, afetando a disponibilidade de recursos para o próximo Plano Safra.
Uma nota técnica do Ministério do Desenvolvimento Agrário ressalta a necessidade de 'previsibilidade orçamentária' para cobrir os custos da renegociação, destacando a importância do orçamento da União e dos fundos constitucionais.
A proposta, embora não sendo alvo de oposição da área técnica do MDA, requer a garantia de orçamento para viabilizar linhas de crédito destinadas a produtores afetados por eventos climáticos adversos no âmbito do Pronaf.
✨ Entidades do setor e parlamentares questionam os valores apresentados, enquanto associações de agricultores do Rio Grande do Sul pedem agilidade na aprovação da proposta.
Demandas do setor produtivo
A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) informou que o montante de dívidas estressadas no estado chega a R$ 171 bilhões e pode dobrar em um ano. A entidade pede a aprovação rápida do projeto para facilitar o acesso a novas linhas de crédito no próximo Plano Safra, que iniciará em julho.
Farsul defende juros neutros de até 8,5% ao ano, com um prazo de pagamento mínimo de 15 anos, superior aos dez anos estipulados no projeto. Juros em dois dígitos são considerados inviáveis para os produtores.
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