Alexandre Mendonça de Barros recomenda vendas antecipadas e cautela aos produtores devido à influência do El Niño.

O economista Alexandre Mendonça de Barros, sócio-consultor da MB Agro e doutor em Economia Aplicada pela Esalq/USP, prevê uma mudança importante no ciclo do mercado de commodities agrícolas nesta safra. Essa situação requer planejamento e adaptação por parte dos produtores rurais do Brasil.
Barros ressalta que, apesar dos desafios, o cenário também oferece oportunidades, especialmente com a possibilidade de venda antecipada de uma parte da produção em determinadas regiões do país. Ele menciona que a percepção dos principais agentes sobre os riscos econômicos e climáticos na produção global de grãos resultou em uma reprecificação da soja, que pode ser vantajosa para os agricultores brasileiros.
✨ Diante da volatilidade provocada pelo El Niño, o economista sugere que os agricultores considerem a venda de parte da safra antecipadamente para aproveitar os preços favoráveis.
Conforme Barros, os ganhos de R$ 20 a R$ 30 por saca de soja são significativos, e a estratégia de antecipar vendas deve ser ponderada considerando a escala do produtor. Ele alerta que o mercado pode ter mudanças bruscas, tanto para cima quanto para baixo, dependendo das condições climáticas. Modelos climáticos indicam que o El Niño pode gerar perdas significativas na produção de soja, com possíveis reduções de até 12 milhões de toneladas.
Além disso, Barros observa que a diminuição na venda de adubos e a previsão de queda na aplicação de tecnologia nesta safra podem impactar os preços das commodities. Ele enfatiza que essa situação ainda não está plenamente refletida nos preços internacionais.
Com a situação atual de mercado, ele observa que há um aumento na percepção de risco entre importadores, especialmente por parte da China, que já demonstrou preocupação com a possível redução da oferta. Mendonça de Barros também destaca que os fundos de investimento estão aumentando posições nas commodities, refletindo uma confiança no mercado.
Porém, ele recomenda cautela, especialmente nas regiões brasileiras afetadas pelo El Niño. Insiste na importância de não realizar vendas excessivas sem a correspondente colheita, pois isso pode trazer prejuízos.
Finalmente, o economista aconselha que os agricultores procurem proteger seu risco de forma contínua e evitar a tentativa de buscar o 'melhor preço'. Ele acredita que o ciclo que se avizinha apresenta oportunidades, reafirmando a necessidade de um planejamento robusto e entendimento profundo dos custos de produção.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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