Impactos no setor agrícola e logístico geram preocupações para empresas

A previsão do fenômeno climático El Niño para a safra de grãos de 2026/27 no Brasil pode trazer riscos significativos para o setor agrícola e empresas ligadas à logística. Especialistas ressaltam que a SLC Agrícola é uma das companhias mais vulneráveis a esses desafios.
Guilherme Palhares, analista do Santander, acredita que a SLC Agrícola enfrentará os maiores impactos. A presença de suas terras nas regiões de Mato Grosso e Matopiba, notórias por estarem frequentemente sob os efeitos do El Niño, aumenta suas dificuldades para a safra. "O portfólio da SLC é bastante considerável nesta área, o que a torna mais suscetível a riscos", explicou.
✨ A SLC Agrícola está monitorando as condições climáticas, mas considera prematuro estimar o impacto real sobre a produtividade.
No campo da logística, Filipe Nielsen do Citi destaca que a Hidrovias do Brasil enfrenta riscos elevados devido à sua dependência de um número limitado de clientes e à vulnerabilidade a mudanças climáticas imprevisíveis. A falta de chuvas poderá resultar em secas severas, comprometendo tanto as colheitas quanto a navegação nos rios, que é crucial para o transporte de grãos.
A Hidrovias do Brasil está atenta aos níveis dos rios e reconfigura a logística de transporte para se adaptar ao clima, mas a dragagem do rio Tapajós, vital para a navegação, ainda não foi autorizada pelo governo federal.
Entidades do setor defendem a dragagem do Tapajós para garantir a navegabilidade, uma ação que exige autorização governamental. Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, avisa que sem essa manutenção, até 5 milhões de toneladas de grãos podem deixar de ser transportadas, o que representa um custo adicional potencial de R$ 850 milhões devido ao deslocamento rodoviário.
A Casa Civil, por sua vez, afirmou que, após avaliar a situação, decidiu não realizar a dragagem neste momento, pois acredita que as condições de navegação podem ser mantidas. Portanto, uma adaptação nas rotas rodoviárias pode ser a alternativa para o escoamento de cargas.
Além disso, a influência do clima sobre a produção rural também poderá impactar a demanda de transporte ferroviário, especialmente para a Rumo. O futuro desempenho das safras, assim, continua incerto, levando as empresas a se prepararem para cenários diversos.
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