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Agronegócio
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Estudo revela bactérias nativas para controlar doenças na macadâmia

Pesquisadores identificam microrganismos prometedores no combate a doenças da planta

Fernanda Lima21 de maio de 2026 às 11:45
Estudo revela bactérias nativas para controlar doenças na macadâmia

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista, em colaboração com a QueenNut e a Embrapa Meio Ambiente, descobriram que duas espécies de bactérias, Serratia ureilytica e Bacillus subtilis, têm potencial para controlar doenças que afetam a parte aérea da macadâmia, impactando positivamente a produtividade desse cultivo crescente no Brasil.

As bactérias identificadas podem auxiliar no controle de doenças como a queima dos racemos e a podridão do tronco, problemas significativos para os pomares.

O estudo, que faz parte da dissertação de Marcos Abreu, está focado no desenvolvimento de bioinsumos a partir desses microrganismos. Este avanço é especialmente relevante, pois as doenças que atacam flores e caules comprometem a longevidade das plantas e, consequentemente, a rentabilidade da cultura.

Os cientistas iniciaram sua pesquisa em 2018, mapeando as principais doenças da macadâmia na principal região produtora do Brasil. Os resultados fornecem dados organizados sobre os principais patógenos presentes, representando um marco importante para o setor.

Desafios e Mecanismos de Ação

Um dos focos do estudo foi na queima dos racemos, provocada pelo fungo Cladosporium xanthochromaticum, que resulta diretamente na diminuição da formação dos frutos. A abordagem dos pesquisadores utiliza a microbiota nativa da macadâmia para combater o patógeno, e os resultados mostraram que as bactérias podem inibir seu desenvolvimento.

Os pesquisadores obtiveram 104 isolados bacterianos das flores, encontrando que Serratia ureilytica e Bacillus subtilis se destacaram por sua capacidade de reduzir a incidência da doença. Essa redução é relevante, pois diminui os sintomas nas flores e limita a propagação do fungo.

Os mecanismos de ação das bactérias incluem a competição por nutrientes e a produção de compostos antifúngicos, o que aumenta sua eficácia no controle da doença.

Outro estudo investigou a podridão do tronco, causada pelo fungo Lasiodiplodia pseudotheobromae, que pode destruír totalmente os ramos e comprometer a planta. Os cientistas testaram diversas bactérias, enfatizando as do gênero Bacillus, já conhecidas em controle biológico.

Os ensaios mostraram que Bacillus velezensis e Bacillus subtilis reduziram significativamente a severidade das lesões provocadas pelo fungo, reforçando a importância da interação entre as variedades da macadâmia e os porta-enxertos utilizados.

Perspectivas e Futuro do Manejo

Luana Vieira, uma das autoras da pesquisa, enfatiza a relevância de estratégias de manejo integradas, que combinam controle biológico com boas práticas agrícolas. Os testes também indicaram que a maioria das bactérias se mostrou compatível com defensivos agrícolas, exceto para o cobre.

Com a possibilidade de implementar bioinsumos nativos, os pesquisadores acreditam que os sistemas produtivos de macadâmia podem se tornar mais sustentáveis. As soluções propostas prometem não apenas aumentar a produtividade, mas também minimizar o impacto ambiental.

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A tendência é que o manejo de doenças evolua para abordagens integradas, combinando biologia, genética e práticas agronômicas. O controle biológico tem potencial para ser central nesse processo.

Os resultados das pesquisas foram publicados em dois artigos que documentam o potencial de controle biológico na macadâmia, indicando que novas abordagens estão se formando para enfrentar os desafios da cultura no Brasil.

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