Etanol no Brasil pode ter queda de preços se consumo não aumentar
Czarnikow alerta para excesso de oferta e necessidade de demanda

A consultoria Czarnikow alerta que o mercado brasileiro de etanol pode enfrentar novas quedas de preços durante a safra 2026/27 se o consumo interno não aumentar o suficiente para acompanhar a oferta adicional do biocombustível.
O relatório divulgado na última sexta-feira (3) indica um aumento na destinação da cana-de-açúcar para a produção de etanol e uma redução no mix açucareiro, impactando também o mercado de açúcar. Desde o início da safra, os preços do etanol hidratado caíram aproximadamente 15%, mas ainda permanecem mais competitivos em comparação ao açúcar nas usinas, especialmente em estados produtores como São Paulo.
✨ A produção de etanol hidratado aumentou 44% em relação ao ano anterior até a segunda quinzena de maio, enquanto a de etanol de milho caiu 15%, gerando um superávit estimado de 1,5 bilhão de litros.
Ana Zancaner, analista da Czarnikow, enfatiza que, para equilibrar a oferta, é crucial que os motoristas mudem seu consumo para o etanol. A demanda por etanol ainda não apresentou uma reação satisfatória em relação ao aumento da oferta, mesmo com a paridade entre o etanol e a gasolina atingindo um dos menores níveis na última década.
A consultoria observa que a participação do etanol hidratado no mercado precisa ultrapassar 30% para sustentar os preços. A Czarnikow também destaca a expansão na produção de etanol anidro, impulsionada pelo milho, que está 60% acima do que foi registrado no ano anterior, potencialmente adicionando cerca de 1 bilhão de litros ao mercado até o final da temporada.
Medidas necessárias
Para reduzir o excedente, a Czarnikow sugere um aumento na mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que atualmente está em 30%, com expectativa de elevação para 32% ainda neste ano. Caso essa medida seja implantada em agosto, a demanda adicional seria de cerca de 700 milhões de litros.
Por fim, embora chuvas intensas tenham atrasado a moagem da cana na segunda quinzena de maio, o processamento acumulado até agora está 16% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
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