A nova disputa entre EUA e Brasil por mercado chinês pode alterar preços.

Em um importante desenvolvimento, os EUA começaram a vender soja para a China, com a recente abertura de 132 mil toneladas da nova safra, revelando uma nova fase na competitividade com o Brasil no mercado chinês.
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) comunicou que, além das vendas às autoridades chinesas, outros 384 mil toneladas foram negociadas, provavelmente também com a China. Analistas veem essas compras como um resultado das discussões entre Xi Jinping e Donald Trump no mês passado, onde Trump indicou um compromisso de importação de pelo menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas americanos até 2028.
✨ A China adotou uma estratégia de compra visando influenciar os preços da soja brasileira, que é atualmente vendida a US$ 530 a tonelada, em comparação com US$ 545 da soja americana.
Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, destaca que as compras chinesas não são necessariamente um comprometimento formal com os EUA, mas uma manobra para baixar o preço da soja do Brasil. Ele observa que as alegações dos compradores chineses sobre os altos preços da soja brasileira podem ser uma tática para favorecer suas negociações futuras.
O aumento da demanda pela soja americana pode levar a um crescimento nos preços do grão em Chicago. Historicamente, isso faz com que os prêmios de exportação nos portos brasileiros diminuam, resultando em preços mais baixos no mercado interno. Atualmente, o preço da soja no Brasil mostra firmeza, enquanto as cotações externas estão sob pressão.
Em junho, o Brasil deverá exportar 15 milhões de toneladas de soja, com 10,7 milhões destinadas à China. Para julho, 4 milhões de toneladas já estão programadas.
As exportações brasileiras costumam reduzir a partir de julho, mas devido à colheita recorde das últimas safras, as estimativas sugerem que o volume superará a média dos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo, a expectativa é que as vendas de soja dos EUA à China cheguem a cerca de 12 milhões de toneladas até junho, em linha com os objetivos do governo americano para a safra 2025/26.
Ale Delara, diretor da Delara Agronegócios, também ressalta que as vendas americanas poderiam atingir 25 milhões de toneladas na safra 2026/27, dependendo das condições de mercado e possíveis aumentos na oferta dos EUA.
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