Crescimento de 21,7% é impulsionado por alta nos preços internacionais, apesar da queda em agosto.

As exportações de carne bovina do Brasil atingiram um total de 2,202 milhões de toneladas entre janeiro e agosto de 2026, registrando um crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O faturamento gerado, que totaliza US$ 12,79 bilhões, representa um aumento significativo de 21,7%, impulsionado principalmente pela valorização da arroba da carne no mercado internacional.
Os dados, divulgados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) nesta terça-feira (08), foram obtidos a partir de informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Embora tenha havido um recuo nas exportações em agosto, a tendência de crescimento permanece no acumulado do ano.
✨ Em agosto, o Brasil exportou 233,5 mil toneladas de carne bovina, uma queda de 22,2% em relação ao mesmo mês do ano passado.
A receita em agosto foi de US$ 1,36 bilhão, apresentando uma diminuição de 15,2%. O declínio nas exportações está associado, em grande parte, à redução das compras da China, principal destino da carne brasileira, que adquiriu apenas 18,9 mil toneladas, uma queda de 88,2% na comparação com agosto de 2025.
Roberto Perosa, presidente da Abiec, comentou que a queda das exportações já era prevista devido à antecipação dos embarques para a China no primeiro semestre. Apesar disso, o país asiático continua a ser o maior comprador, representando 40,8% do total das exportações brasileiras de carne bovina neste ano.
De maneira encorajadora, as exportações para os Estados Unidos também aumentaram, com 269,1 mil toneladas embarcadas até agosto, um crescimento de 28,7% em volume e faturamento de US$ 1,74 bilhão. Os embarques para o mercado norte-americano devem intensificar a partir de setembro, após uma medida de isenção anunciada para facilitar a aquisição de carne.
Além dos EUA, outros mercados se destacaram, como o Chile, com 107,3 mil toneladas exportadas (+32%) e receita de US$ 649,7 milhões, a Rússia com 96,3 mil toneladas (+29,7%) e faturamento de US$ 453,5 milhões, e a União Europeia com 87,1 mil toneladas (+26,4%) resultando em US$ 762,3 milhões em receita.
O levantamento também aponta que mercados emergentes registraram crescimentos notáveis nas importações. A Indonésia aumentou suas compras em 259,6%, totalizando 55,2 mil toneladas, enquanto o Vietnã apresentou um aumento ainda mais expressivo de 408,3%, somando 10 mil toneladas até agosto. A Argentina também se destacou com 19 mil toneladas, um incremento de 140,1%.
Além disso, países como o Canadá, Peru, Jordânia, Arábia Saudita e Turquia também mantiveram o crescimento nas importações, refletindo novo impulso no mercado global para a carne bovina brasileira.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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