Empresas se antecipam à suspensão prevista de importações pelo bloco.

Nos últimos meses, as empresas exportadoras de frango do Brasil têm intensificado suas vendas para a União Europeia em face da possível suspensão das importações prevista para esta quinta-feira (3). Essa situação surge após a Comissão Europeia decidir, em maio, retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, incluindo carne bovina e de frango, devido a alegações de falhas no controle do uso de antimicrobianos.
Segundo uma fonte do setor, os importadores europeus conseguiram acumular estoques de carne de frango que devem cobrir a demanda, pelo menos até o final de setembro. Isso significa que a interrupção das vendas não deverá resultar em um impacto imediato, uma vez que a Europa permitirá a entrada de todos os produtos certificados até 2 de setembro.
✨ O Brasil deve continuar a exportar carne certificada até setembro, mitigando o impacto da suspensão.
A retirada do Brasil da lista de exportação ocorreu devido à alegação de que o país não cumpriu os requisitos da UE quanto ao uso de antimicrobianos em sua produção animal, que proíbe o uso de elementos como promotores de crescimento e medicamentos para infecções humanas ao longo de toda a vida do animal.
Após essa decisão, o governo brasileiro tentou resolver o impasse, especialmente sobre a carne bovina, propondo um período de transição para a aplicação das novas regras, que foi rejeitada. Em junho, o Ministério da Agricultura homologou um protocolo de exportação de bovinos livres de antimicrobianos, esperando que isso facilitasse uma reintegração do Brasil na lista da UE, embora isso ainda não tenha ocorrido.
Uma comitiva de autoridades europeias está no Brasil para verificar o sistema produtivo de frango, mas não se espera que uma decisão sobre a suspensão ocorra antes da reunião marcada para o dia 4, uma vez que os laudos sobre a visita devem demorar.
As exportações de carne de frango do Brasil para a Europa aumentaram significativamente em julho, com o país enviando 36,9 mil toneladas, mais de sete vezes o volume registrado no mesmo mês do ano anterior. Após a suspensão de exportações em 2025 devido a um caso isolado de gripe aviária, o aumento reflete um redirecionamento de produção.
Os dados indicam que de janeiro a julho, as exportações de frango para a UE superaram os níveis do ano passado em todas as comparações mensais. A fonte indica que a transferência de volumes destinados a outras regiões, como Emirados Árabes, Japão e México, que reduziram suas compras, pode ter contribuído para o aumento das vendas à Europa.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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