Farsul solicita intervenção da ANP para garantir abastecimento no início da safra de verão.

A escassez de diesel no Rio Grande do Sul voltou a ser uma preocupação significativa para os agricultores, coincidentemente, com o início do plantio da safra de verão. Em 14 de setembro de 2026, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) enviou um ofício à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), instando por ações imediatas em resposta a novos relatos de restrições no abastecimento do combustível.
Essas restrições são particularmente alarmantes devido à janela agronômica limitada para a implantação das culturas, e a Farsul advertiu que atrasos na entrega podem comprometer operações mecanizadas essenciais. A entidade destacou que se a situação persistir, pode haver um atraso no plantio, redução da área cultivada e impactos diretos na produtividade.
✨ Historicamente, problemas semelhantes foram observados entre março e abril deste ano, afetando a colheita de arroz e soja, quando cerca de 170 municípios sofreram interrupções. Mesmo com os estoques adequados, houve limitações no fornecimento.
A Farsul também chamou atenção ao aumento dos preços do diesel, que pode afetar gravemente as operações agrícolas. A análise indica que um aumento de 21,1% no preço do diesel poderia adicionar cerca de R$ 612,2 milhões aos custos operacionais, e num cenário extremo, onde o litro chegue a R$ 9,00, as perdas potenciais seriam de R$ 1,47 bilhão.
Além dos efeitos diretos nas fazendas, a Farsul enfatiza que um aumento no diesel impacta também os custos de transporte e, consequentemente, os preços dos alimentos para o consumidor. O ofício menciona a discrepância entre os preços praticados no Brasil e a referência internacional, além da recente subvenção do Governo Federal que precisa se traduzir em maior disponibilidade do combustível.
Diante do risco para o calendário agrícola, a Farsul solicitou a fiscalização das distribuidoras pelo ANP e pediu medidas para garantir a regularidade no abastecimento, além de informações sobre estoques e entregas. A entidade reforçou a necessidade de investigação sobre possíveis restrições injustificadas, bem como um plano de contingência em períodos críticos para o agronegócio.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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