Perdas podem chegar a 60% nas lavouras afetadas pela doença causada pelo fungo Fusarium graminearum.

A giberela do trigo é uma preocupação crescente entre agricultores, não apenas por causa das perdas de produtividade que pode causar, mas também pelos riscos de micotoxinas nos grãos, sendo o deoxinivalenol (DON) uma das mais recorrentes.
Entre os meses de agosto e outubro, muitas lavouras no Paraná e no Rio Grande do Sul entram em fases críticas, como espigamento e florescimento, períodos em que são mais vulneráveis à infecção pela doença.
Causada principalmente pelo fungo Fusarium graminearum, a giberela pode se proliferar em restos de culturas anteriores, como trigo, milho e cevada, liberando esporos que atacam as espigas durante períodos chuvosos e úmidos, levando a abortamento floral e má formação dos grãos.
✨ As perdas na colheita podem atingir até 60% devido à incapacidade do sistema de ventilação das colheitadeiras em lidar com os grãos afetados.
Com a infecção, há impactos diretos na qualidade dos grãos, diminuindo tanto o peso quanto o número deles, além de afetar o peso hectolítrico e as classificações comerciais, prejudicando também o rendimento em farinha.
As micotoxinas, se presentes, podem resultar em descontos, rejeições ou restrições quanto à comercialização dos lotes de trigo, aumentando a preocupação do mercado.
O manejo adequado deve começar antes do florescimento, com a rotação de culturas, a escolha de cultivares resistentes e uma semeadura planejada, que evite coincidir com períodos de chuvas intensas.
O período crítico de controle vai do espigamento até cerca de 10 a 15 dias após o florescimento, sendo a antese um ponto crucial onde a proteção fungicida deve ser eficiente.
A aplicação de fungicidas é essencial, mas é importante ressaltar que ela apenas minimiza a infecção e não elimina as micotoxinas já formadas.
Após a colheita, o cuidado se volta para a secagem adequada e o armazenamento seguro, para prevenir um agravamento nas contaminações e perdas de qualidade.
Um manejo integrado, que inclua a combinação de práticas como rotação de culturas, escolha de variedades com resistência genética, acompanhamento do clima e o uso consciente de fungicidas, é vital para reduzir os impactos da giberela no trigo, garantindo a qualidade dos grãos e a saúde dos mercados.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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