Valdo Silveira destaca que a insegurança jurídica pode elevar custos e dificuldade no acesso ao financiamento agrícola.

A insegurança jurídica gerada por incertezas no Judiciário pode impactar o custo e a disponibilidade de crédito para o agronegócio, segundo Valdo Silveira, CEO da Leme Inteligência Forense.
O especialista aponta que a dificuldade não está na recuperação de dívidas, mas na perda de previsibilidade que pode levar bancos a recalibrar os riscos das operações. Com isso, o agronegócio, que já enfrenta desafios financeiros, pode sofrer com operações de crédito mais caras ou difíceis de acessar.
✨ O setor acumulou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, um aumento de 56,4% em relação ao ano anterior, e outros 474 casos somente no primeiro trimestre de 2026.
Silveira destaca que a previsibilidade é fundamental para quem concede crédito e a situação é ainda mais crítica no agronegócio, que depende de recursos financeiros para operar em ciclos de produção. Além disso, fatores externos, como condições climáticas e preços de commodities, tornam o cenário ainda mais volátil e desafiador.
Os dados da Serasa Experian revelam que, somente no primeiro trimestre de 2026, foram registrados 196 pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais, alta de 73,5%. Embora a recuperação judicial seja uma ferramenta que pode proporcionar um alívio, o aumento desses pedidos gera preocupações sobre a real capacidade de recuperação de ativos pelos credores.
Em resposta a essa situação, a Corregedoria Nacional de Justiça instituiu diretrizes específicas para recuperação judicial de produtores. Isso demonstra a crescente preocupação em garantir que tanto credores quanto devedores tenham suas questões tratadas com clareza e previsibilidade.
Segundo Silveira, a atual crise institucional não é a principal causa da inadimplência no setor rural; fatores como altas taxas de juros, custos de produção e a volatilidade dos preços de mercado já representam um grande risco. A incerteza sobre a recuperação de dívidas adiciona uma nova camada de complexidade ao financiamento agrícola, possivelmente aumentando custos e exigências de garantias de crédito.
Com um dos maiores estoques de processos judiciais do mundo, o Brasil enfrenta um tempo de espera prolongado para recuperação de dívidas, o que diminui a atratividade do financiamento no campo, uma vez que a percepção de risco se eleva com a insegurança jurídica.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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