Adoção de sementes não certificadas triplicou no Brasil, relevando desafios econômicos para o setor.

A indústria de sementes enfrenta um desafio significativo com o aumento da área de soja não certificada, que se intensificou nos últimos anos. Um relatório da CropLife Brasil indica que a adoção dessas sementes triplicou, subindo de 3,1 milhões de hectares na safra 2021/22 para 9,6 milhões de hectares na expectativa para o ciclo 2025/26. Isso representa 20% da área total cultivada, que foi de 48,6 milhões de hectares.
Esse aumento na área não certificada é atribuído à pressão financeira enfrentada pelos produtores. Uma parte dessa área é semeada com 'sementes salvas', prática legal quando o produtor reserva grãos de sua colheita para o plantio da safra seguinte, e outra parte é com sementes piratas. Segundo Renato Gomides, gerente executivo da CropLife Brasil, a compra de sementes certificadas é essencial para financiar inovações que aumentaram a produtividade do país nos últimos anos.
✨ “Essa solução que hoje parece mais barata pode custar ainda mais caro após a colheita”, alerta Gomides, destacando o risco de quem opta pelas sementes sem origem.
Apesar do crescimento das sementes não certificadas, as empresas produtoras de sementes no Rio Grande do Sul relatam uma melhora nas vendas em relação à safra anterior, prevendo vender 80% a 82% do volume produzido. Contudo, as margens permanecem baixas devido aos altos custos de produção, exacerbados pelas taxas de juros e pela concorrência no setor.
Jhony Moller, diretor da Apasem, ressalta que a prática de salvar sementes não é incentivada por questões de qualidade. Dados indicam que no Paraná, cerca de 80% a 85% das sementes utilizadas são certificadas, enquanto o restante é dividido entre sementes salvas e piratas. Em Mato Grosso, o custo da biotecnologia impacta a viabilidade da prática, com a relação de troca de 6 a 7 quilos de soja por quilo de semente.
Produtores como Éder Ferreira Bueno, que utiliza sementes salvas, reportam uma economia de 30% nos custos de produção, demonstrando que a prática pode ser vantajosa quando bem acompanhada. Outros produtores, mesmo com dificuldades, continuam a adotar esta abordagem, buscando um equilíbrio entre custos e qualidade.
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