Mercados de trigo, soja e milho enfrentam volatilidade geopolítica
Dinâmica dos preços é afetada por clima, câmbio e demanda internacional.

Os mercados de grãos, incluindo trigo, soja e milho, estão passando por um cenário volátil, influenciado por fatores climáticos e geopolíticos. A TF Agroeconômica destaca que a recente escalada de ataques na região do Mar Negro trouxe à tona preocupações sobre as rotas de exportação, exacerbando a incerteza nos preços.
O trigo, que inicialmente registrou uma resposta nos mercados de Chicago e na Europa, viu sua força diminuir devido ao fraco volume de vendas dos Estados Unidos, totalizando apenas 285 mil toneladas. Em setembro de 2026, o contrato de trigo caiu 5 pontos, sendo negociado a 658,50, enquanto em dezembro, houve uma queda de 4,75 pontos, alcançando 676,75.
✨ Na esfera física, o preço do trigo no Paraná permaneceu estável a R$ 1.405,93, registrando uma alta mensal de 2,72%, enquanto o Rio Grande do Sul enfrentou uma queda de 0,96%, cotado a R$ 1.321,88.
Recentemente, a Tunísia adquiriu 75 mil toneladas de trigo mole, além de 50 mil toneladas de cevada forrageira, sinalizando uma demanda estrangeira positiva.
Quanto à soja, o mercado também apresenta sinais de otimismo com a retomada das compras chinesas nos EUA e o ritmo das vendas da nova safra. O contrato de agosto de 2026 subiu 1,25 ponto, atingindo 1.178,50, embora o clima favorável limite os aumentos nos preços.
Em nível estadual, no Paraná, o preço da soja recuou 0,85% no interior, alcançando R$ 137,82, e 1,04% em Paranaguá, a R$ 145,29. O Brasil segue apresentando fundamentos robustos, com uma safra estimada em 185,6 milhões de toneladas, solidificando sua posição no mercado sul-americano.
O milho também teve uma queda acentuada, influenciada por previsões de temperaturas amenas e chuvas benéficas nos Estados Unidos, o que reduziu a pressão climática sobre o produto. O contrato de setembro caiu 2,50 pontos em Chicago, sendo negociado a 443,25, enquanto o preço físico foi estabelecido em R$ 65,30.
As exportações semanais de milho totalizaram 363 mil toneladas da safra 2025/26 e 1,062 milhão da safra 2026/27. Nesse contexto, o desempenho do dólar continuará sendo um fator decisivo na competitividade agrícola e na formação de preços internacionais.
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Gabriel Rodrigues
Jornalista especializado em mercado-financeiro
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