Aumento nas amêndoas sinaliza oportunidades, mas demanda ainda é um desafio

A produção de cacau no Brasil apresentou um crescimento sólido no primeiro semestre de 2026, com um aumento de 63,4% nas amêndoas em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 95.108 toneladas. Este resultado sinaliza a recuperação da oferta após dois anos de dificuldades.
Os dados, obtidos pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), indicam que a produção agora está próxima dos níveis anteriores à crise de oferta observada em 2023. Contudo, a presidente da AIPC, Anna Paula Losi, alerta que é essencial transformar esse crescimento em uma dinâmica sustentável para toda a cadeia produtiva.
✨ A melhora na produção afeta diretamente a necessidade de importação, com uma queda de 57,1% no primeiro semestre de 2026 em relação ao ano passado.
Apesar do crescimento na produção de amêndoas, a moagem de cacau teve um desempenho mais modesto, totalizando 101.426 toneladas entre janeiro e junho, com um incremento de apenas 3,6% em relação ao primeiro semestre de 2025. Essa quantidade ainda está 19,8% abaixo da produção de 2023, demonstrando que a recuperação não foi suficiente para estimular a demanda por derivados.
As exportações de derivados de cacau também apresentaram um retrocesso, com uma diminuição de 7% nos embarques no semestre. Enquanto o segundo trimestre mostrou um crescimento de 13%, os números ainda não compensaram a queda observada anteriormente.
A Bahia continuou a ser o maior produtor, contribuindo com 56,8% do total nacional, enquanto o Pará expandiu sua participação para 38,8%, refletindo um forte crescimento na região Norte do Brasil.
Anna Paula Losi enfatiza que a manutenção deste avanço dependerá da ampliação da demanda por produtos derivados de cacau, essenciais para aquecer a indústria e consolidar a cadeia produtiva. Fatores como clima, controle de pragas e suporte técnico a produtores são determinantes para o sucesso contínuo da produção.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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