Setor enfrenta desafios regulatórios enquanto área tratada atinge 46,2 milhões de hectares.

O mercado brasileiro de bioinsumos registrou uma movimentação de R$ 1,82 bilhão no primeiro semestre de 2026, apresentando uma alta de 9,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A área tratada com esses produtos alcançou 46,2 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 18,3%, segundo dados da CropLife Brasil.
Apesar dos resultados positivos, o setor encara desafios regulatórios. Mauro Heringer, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), alerta que esses desafios podem restringir o potencial de crescimento da indústria nacional. Ele enfatiza que o aumento da área tratada em relação ao valor comercializado demonstra a crescente presença dos produtos biológicos nas práticas agrícolas.
✨ Heringer ressalta que a expansão dos biológicos no Brasil confirma a demanda, mas também indica o custo econômico aliado à demora na regulamentação da Lei 15.070/24.
Segmentos do mercado, como os bioinseticidas, tiveram crescimento notável, particularmente impulsionados pelo cultivo da soja. Enquanto isso, os bionematicidas e biofungicidas também mostraram avanços, refletindo uma preparação antecipada para o plantio. No entanto, Heringer observa que as taxas de aprovação de novos produtos biológicos estão atrasadas, com um prazo médio de 20 meses, o que é superior aos índices de 2025.
A Lei 15.070/24 traz um novo marco legal para os bioinsumos, mas sua implementação ainda carece de regulamentação efetiva. A falta de uma estrutura regulatória adequada pode impactar negativamente a confiança do setor e dificultar o planejamento de investimentos.
Heringer destaca que o desenvolvimento de um bioinsumo exige investimentos significativos antes da fase de registro, incluindo pesquisa e validação. Para ele, a criação de um ambiente regulatório eficiente é crucial para impulsionar a inovação e a competitividade no setor.
O executivo comenta ainda que, com a crescente demanda internacional por bioinsumos, o Brasil deve se posicionar como um grande desenvolvedor e exportador nesse nicho de mercado. A expansão do mercado no primeiro semestre deve ser vista como uma oportunidade, mas também um alerta sobre a necessidade de modernização das práticas regulatórias.
Em conclusão, Heringer afirma que a regulamentação da Lei 15.070/24 não é apenas uma questão administrativa, mas uma decisão estratégica que pode definir a competitividade da indústria brasileira de bioinsumos na próxima geração agrícola.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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