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Agronegócio
3 min de leitura

Mercado de boi gordo enfrenta pressão com aumento da oferta

Cotação da arroba recua em várias regiões, impactando negociações

Giovani Ferreira30 de abril de 2026 às 07:00
Mercado de boi gordo enfrenta pressão com aumento da oferta

Nesta quarta-feira (29/04), o mercado pecuário foi afetado por um aumento na oferta de gado, segundo a Scot Consultoria. Esse cenário fortaleceu a posição de barganha dos compradores em diversas regiões.

Tendências nas cotações

Nos centros de referência de Araçatuba e Barretos, em São Paulo, os preços da arroba do boi gordo foram reduzidos pelo terceiro dia consecutivo. O valor para pagamento a prazo caiu para R$ 360, uma diminuição de R$ 1. Já a arroba do 'boi China' viu uma queda de R$ 2, atingindo R$ 363. Por outro lado, os preços da vaca também diminuíram em R$ 1, estabelecendo-se em R$ 330, enquanto as novilhas mantiveram suas cotações estáveis.

Em SP, tentativas de compra abaixo de R$ 360 encontram dificuldades.

De acordo com informações de agentes de Mercado, no Estado de São Paulo, ofertas de compra à vista a partir de R$ 360 por arroba do boi gordo não enfrentaram objeções, o que facilitou as negociações. No entanto, quando os preços propostas ficam abaixo desse patamar, as dificuldades para fechamento de contratos aumentaram. Apesar de transações ocorrerem com preços inferiores, o volume foi insuficiente para formar uma nova referência.

Cenário nas praças

Além das duas praças mencionadas, a Scot Consultoria registrou quedas na cotação do boi gordo em outras oito regiões. Por outro lado, 22 praças mantiveram as cotações estáveis, enquanto apenas Roraima observou aumento nos preços.

Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, observa que o mercado físico do boi gordo enfrenta novas tentativas de compra em níveis inferiores. "Os frigoríficos estão mais confortáveis com suas escalas de abate e tentam exercer pressão sobre os preços mais frequentemente", comenta.

Cepea: escalas de abate superam níveis anteriores.

Contexto do abate

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), várias regiões apresentam escalas de abate superiores às de fevereiro e março. Na Bahia, a média subiu para 7,4 dias, em Minas Gerais está em 13,4 dias, e no Noroeste do Paraná, a média é de 12,9 dias.

A sazonalidade do mercado indica a continuidade dessa tendência, dado o esgotamento de pastagens, especialmente em Goiás e Minas Gerais. Em contraste, Mato Grosso e o Norte ainda têm pastos saudáveis.

Diferenças de preços entre machos e fêmeas

O Cepea também aponta que a diferença de preços entre o boi gordo e a vaca aumentou em abril. No acumulado até o dia 28 deste mês, a diferença média entre machos e fêmeas no Estado de São Paulo é de R$ 33,69 por arroba, favorecendo o boi. Em anos anteriores, as diferenças eram menores, indicando uma valorização significativa dos machos devido à escassez desses animais e à demanda externa crescente pela carne bovina.

Por outro lado, a oferta de fêmeas, voltadas principalmente para o mercado interno, está acima da dos machos, levando frigoríficos a ajustarem suas cotações para compor as escalas de abate.

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