Divisão entre condições internacionais e fatores internos

O mercado de trigo enfrentou tendências divergentes, pesando a pressão da oferta global e uma situação mais estável no Brasil. De acordo com a análise semanal da TF Agroeconômica, a colheita avançada no Hemisfério Norte e o aumento nas lavouras da Europa e do Mar Negro impactam negativamente as cotações internacionais.
Em Chicago, o contrato para julho de 2026 interrompeu uma sequência de duas semanas de desvalorização, embora a recuperação ainda seja incerta. O preço de US$ 5,80 por bushel está atraindo compradores, enquanto as barreiras de resistência se situam em US$ 6,30 e US$ 6,60 por bushel, mantendo uma tendência baixa e lateral. O suporte principal pode ser testado novamente caso o mercado fique abaixo de US$ 6,30.
✨ A pressão no mercado decorre da nova safra de inverno nos EUA, o início da colheita na Europa e a expectativa de uma colheita significativa no Mar Negro.
Além disso, fatores como a maior presença da Rússia no mercado chinês, quedas nas exportações americanas e uma redução das áreas afetas à seca nos EUA também contribuem para a pressão nos preços internacionais.
No entanto, o cenário é distinto no Brasil. A Conab revisou para baixo a estimativa da safra nacional, reduzindo-a de 6,39 milhões para 6,30 milhões de toneladas, um volume consideravelmente inferior aos 7,87 milhões da safra anterior. Os estoques reduzidos e a previsão de importações superiores à produção nacional ajudam a sustentar os preços internos.
No Paraná, indicadores da CEPEA mostram um viés de alta contínuo devido à demanda por farinhas de qualidade. A expectativa é de um aumento moderado nos preços enquanto essa tendência persistir. Já no Rio Grande do Sul, o cenário é mais lateral, com moinhos apresentando margens de lucro menores e diminuindo as operações de moagem.
Ainda restam 210 mil toneladas disponíveis no Rio Grande do Sul, além de 240 mil toneladas previstas para chegar ao estado no segundo semestre.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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