A praga pode se esconder em frutos remanescentes, afetando a próxima safra.

A broca-do-café pode se manter ativa entre os meses de outubro e abril, utilizando frutos remanescentes nas plantas ou caídos no solo como abrigo, o que mantém a praga na lavoura mesmo após a colheita.
O monitoramento nesse período é crucial para identificar áreas com maior infestação e orientar o manejo da próxima safra. Em regiões como Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo, frutos que permanecem no cafezal podem servir como abrigo para o inseto Hypothenemus hampei.
✨ Sem o devido acompanhamento, a broca-do-café pode completar novos ciclos durante a entressafra.
A broca-do-café é um besouro que perfura os frutos e se desenvolve em seu interior, alimentando-se da semente. A fêmea adulta faz um orifício, constrói galerias e deposita os ovos dentro do fruto, onde as larvas, pupas e novos adultos completam seu ciclo, protegidos do clima e de métodos de controle.
Após a colheita, a quantidade de frutos disponíveis na lavoura é determinante para a permanência da praga. Frutos secos ou caídos oferecem abrigo, e quanto maior a quantidade, maior a oferta para a broca. Em lavouras onde a colheita foi eficiente, a população tende a diminuir, mas ainda podem haver frutos que permitem a sobrevivência do inseto.
Identificar frutos danificados é fundamental para o monitoramento. No pós-colheita, a presença de frutos secos e escurecidos pode dificultar a detecção. O furo de entrada, geralmente na parte média do fruto ou próximo ao pedúnculo, é um dos principais sinais indicativos.
O orifício pode ser maior em frutos secos e é comum encontrar resíduos escuros, conhecidos como frass, no fruto. A flutuação em água também pode indicar dano interno, mas é apenas uma indicação auxiliar.
✨ Para confirmar o ataque, é recomendado abrir uma amostra dos frutos e procurar por galerias, ovos e larvas.
Quando dúvidas surgirem, corte os frutos transversalmente, procurando por sinais de infestação interna. É essencial distingui-los de ferimentos mecânicos.
Armadilhas em formato de garrafa ou pote são úteis para monitorar a atividade dos adultos durante a entressafra. Elas ajudam a identificar picos de atividade e localizar áreas com maior pressão da praga, sendo fixadas em pontos representativos dos talhões.
A leitura regular das armadilhas e o registro do número de capturas informam sobre a tendência populacional da broca. Uma significativa diminuição pode indicar controle efetivo, enquanto níveis crescentes requerem atenção redobrada.
A amostragem dos frutos deve iniciar logo após a colheita, com avaliações regulares até o início da próxima safra. Isso inclui tanto os frutos nas plantas quanto os caídos no solo, priorizando áreas de alta infestação.
A amostragem deve ser feita de forma sistemática, cobrindo os talhões e coletando frutos representativos para análise. O resultado principal é a porcentagem de frutos danificados, que deve ser monitorada ao longo do tempo.
✨ Dados das amostragens e das armadilhas devem ser avaliados em conjunto para um monitoramento eficaz.
Poucas capturas combinadas com baixa porcentagem de frutos danificados indicam um cenário favorável. Contudo, capturas elevadas exigem atenção ao manejo e remoção de frutos remanescentes.
A adoção de boas práticas durante o pós-colheita e o controle de infestação devem ser orientados por profissionais habilitados.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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