Infestações do nematoide, causado por *Meloidogyne incognita* e *Meloidogyne javanica*, têm aumentado em regiões produtoras.

O nematoide de galhas tem se mostrado um dos principais problemas fitossanitários que afetam as lavouras de milho, causado pelas espécies Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica. Essas pragas provocam alterações no sistema radicular, resultando em plantas desuniformes, porte reduzido, falhas no estande e má formação das espigas.
O problema tem ganhado relevância em diversas áreas produtoras de milho, incluindo Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Piauí, Paraná e Rio Grande do Sul. A intensificação da agricultura, as sucessões de milho e soja, e o uso repetido de cultivares suscetíveis são citados como fatores que contribuem para esse aumento.
Os nematoides são vermes microscópicos que habitam o solo e afetam as raízes das plantas. Depois de penetrarem nas raízes recém-formadas, eles migraram para as áreas que conduzem água e nutrientes, gerando as chamadas galhas, que comprometem a funcionalidade do sistema radicular.
✨ Mesmo com solos férteis e bem adubados, a presença de nematoides pode causar sintomas de deficiência nutricional e aumentar a sensibilidade das plantas ao estresse hídrico.
Quando as larvas se instalam, elas iniciam a formação de galhas, e as fêmeas geram centenas de ovos, que podem permanecer no solo à espera de novas culturas hospedeiras. O ciclo curto dos nematoides permite a ocorrência de diversas gerações em uma única safra, além de dificultar o controle por meio de rotações de culturas simples.
A interação dos nematoides com fungos que causam podridões radiculares pode intensificar os danos ao milho. Nas raízes, os sinais mais comuns incluem a formação de galhas, redução do comprimento e do volume radicular, diminuição das raízes absorventes e necroses em infestações severas.
Todas essas alterações dificultam a exploração adequada do solo, prejudicando a absorção de nutrientes e água. Na parte aérea, desuniformidade, falhas no estande e menor porte das plantas são frequentemente observados, além de atraso no florescimento e formação de espigas pequenas e com grãos defeituosos.
A produtividade pode variar conforme a infestação de nematoides, as condições do solo, clima e manejo realizado. Estudos indicam que infestações elevadas podem levar a perdas de 10% a mais de 50% na produção, principalmente em solos arenosos.
Para estimar o impacto econômico, recomenda-se avaliar áreas afetadas e compará-las com locais saudáveis, multiplicando a diferença de produtividade pelo preço do milho.
Outubro e novembro são meses críticos, pois geralmente coincidem com o crescimento do sistema radicular e temperaturas elevadas no solo, o que pode favorecer a atividade dos nematoides.
Um diagnóstico preciso requer análise laboratorial, além de observações de campo. A coleta de amostras de solo e raízes deve ser realizada para contar ovos e larvas e identificar as espécies de nematoides presentes.
Fatores como população inicial de nematoides, tipo de solo, histórico de culturas, época de semeadura e condições de matéria orgânica e estrutura do solo são essenciais para estimar o risco de infestações futuras.
Estudos mostram que a presença de nematoides pode manter populações elevadas para as culturas seguintes, intensificando problemas de saúde das raízes e reduzindo a absorção de nutrientes.
Portanto, uma avaliação cuidadosa da lavoura, por meio de diagnósticos laboratoriais e histórico da área, é fundamental para tomar decisões informadas sobre o manejo dos nematoides.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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