Nova Lei dos Defensivos Agrícolas enfrenta desafios de regulamentação
Três anos após a sanção, setor ainda luta contra insegurança jurídica

O agronegócio brasileiro, que espera ansiosamente pela regulamentação da Lei 14.785/2023, se depara com um cenário de incertezas após três anos da sanção da nova norma. Os desafios são discutidos em audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal.
Desde a aprovação da lei, a demora na regulamentação tem ocasionado insegurança jurídica, principalmente devido à falta de consenso entre o Ministério da Agricultura (Mapa), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Essa situação resulta em um prolongado prazo de cinco a sete anos para o registro de novos defensivos.
✨ O desacordo entre os órgãos é apontado como o principal empecilho para a implementação da nova lei.
Durante a audiência, os representantes do Mapa, Anvisa e Ibama reafirmaram que possuem metodologias baseadas em rigorosos critérios científicos. Porém, enfatizaram que a falta de coordenação entre as instituições é o maior obstáculo enfrentado.
Outro ponto alarmante discutido foi a escassez de pessoal nas áreas de toxicologia da Anvisa e do Ibama, onde os números de servidores são baixos em comparação à demanda do setor agrícola. Esse cenário fragiliza o andamento dos processos de registro e avaliação de defensivos.
Embora exista um consenso sobre a necessidade da regulamentação, cada órgão evita abrir mão de sua autonomia. A ideia do grupo de trabalho permanente, proposta pela Anvisa em 2024, visando a criação de uma organização eficiente no processo de regulamentação, ainda não avançou.
A situação crítica faz com que empresas do setor busquem o Judiciário para resolver pendências relacionadas a registros, evidenciando a fragilidade do sistema atual. Confederacões como a CNA e CNI vêm pressionando por maior agilidade nos trâmites regulatórios para garantir a competitividade e previsibilidade do agronegócio.
Para o produtor rural, a modernização da legislação é vital, especialmente para pequenos e médios agricultores, que dependem de uma diversidade de tecnologias para maximizar a produção e reduzir custos.
Com mais de duas décadas de tramitação, o Executivo deve agir rapidamente para evitar mais indefinição. O fortalecimento da coordenação entre Mapa, Anvisa e Ibama é crucial para que o novo modelo funcione de forma integrada e eficaz.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Agronegócio

Glifosato tem queda de 31,6% em maio, enquanto outros defensivos sobem
Mercado agropecuário apresenta variações contrastantes de preços

Bioinsumos avançam, mas bioherbicidas ainda carecem de espaço no Brasil
Desafios persistem no mercado de herbicidas no agronegócio brasileiro

Crop Life Brasil apresenta pesquisa sobre agricultura tropical
Campanha discute desafios e inovações no agronegócio nacional

Syngenta promove segurança em defensivos agrícolas no Brasil
Iniciativa busca proteger trabalhadores e reduzir impactos ambientais





