Estudo da Embrapa e instituições busca otimizar a dispersão de sementes por morcegos.

Pesquisadores da Embrapa Florestas, do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) identificaram compostos aromáticos sintéticos que atraem morcegos dispersores de sementes. A ideia, que surgiu em 2003, pode não só ajudar na restauração de áreas desmatadas, mas também complementar estratégias de recuperação florestal, aproximando morcegos de zonas degradadas.
De acordo com Sandra Mikich, da Embrapa, é fundamental que exista vegetação nativa próxima, como Reservas Legais e APPs, que servem como fonte de alimento e sementes. O uso dos compostos sintéticos pode também baratear a restauração florestal, eliminando a necessidade de coletar grandes quantidades de frutos para extração de óleos, e utilizando a própria capacidade dos morcegos para dispersar sementes.
✨ Os morcegos possuem papel crucial na dispersão de sementes, liberando-as rapidamente ao longo de suas rotas de voo, o que ajuda na recuperação de áreas degradadas.
Mikich explica que a pesquisa começou a partir da observação do comportamento dos morcegos consumidores de frutas e como a atração por determinados aromas pode ser aproveitada para direcioná-los a áreas específicas. Depois de coletar frutos de plantas como Ficus, Piper e Solanum, os pesquisadores realizaram experiências com redes de captura, primeiro com aroma e depois sem, e notaram que seus resultados confirmaram a atração dos morcegos pelos aromas.
Com o objetivo de aplicar os compostos de maneira mais eficaz, a equipe analisou as substâncias químicas dos óleos essenciais em laboratório para encontrar opções disponíveis no mercado que poderiam replicar a atração dos óleos naturais, permitindo assim uso em menores quantidades, sem depender da coleta de frutos. Embora os testes tenham mostrado que diferentes compostos provocam respostas variáveis nos morcegos, a pesquisa agora se concentra em determinar quais substâncias são mais eficazes em atrair os animais e como combinações delas podem aumentar essa eficiência.
Embora a pesquisa não busque substituir métodos tradicionais de restauração, os avanços têm o potencial de reduzir custos e diversificar as espécies de plantas utilizadas na recuperação, utilizando a capacidade natural dos morcegos como dispersores.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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