Pecuária no Pantanal aposta em carne sustentável e rastreada
Produtores se adaptam a práticas que respeitam o ambiente do bioma

A produção pecuária no Pantanal tem se transformado, conectando um sistema produtivo aos princípios de sustentabilidade e rastreabilidade. A demanda crescente por alimentos cuja origem seja certificada está impulsionando esse segmento.
De acordo com Guilherme de Oliveira, diretor-executivo da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), a singularidade da produção da região reside na sinergia entre a pecuária e as características naturais do Pantanal. Ao invés de forçar adaptações no ambiente, o manejo respeita os ciclos sazonais, que incluem períodos de cheia e seca.
Durante algumas épocas do ano, áreas normalmente usadas para pastagem são submersas, limitando o uso das propriedades. Apesar disso, esses fenômenos naturais contribuem para um sistema produtivo que se destaca por ser sustentável em sua essência.
"O pantanal hoje está protegido por lei, então não pode manejar totalmente as áreas. Não pode trocar a vegetação. Então, isso é um algo bacana de entendermos e por isso que a produção é sustentável
Apoio Tecnológico
A adoção de ferramentas tecnológicas voltadas para o manejo de pastagens nativas, nutrição animal e melhoramento genético tem sido fundamental para amplificar a eficiência produtiva. Para garantir que uma propriedade atenda aos protocolos da ABPO, avaliações são realizadas por técnicos que consideram critérios ambientais, sociais e econômicos.
Além das boas práticas de sustentabilidade, essas avaliações englobam a análise das condições de trabalho dos colaboradores e a gestão das propriedades, assegurando que as normas para certificação sejam respeitadas.
"A gente tem que lembrar do tripé da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Então, o técnico vai na propriedade para enquadrar justamente a propriedade nos critérios
Rastreabilidade e Melhoramento Genético
Todos os animais que participam dos protocolos são rastreados durante toda a produção, garantindo sua origem. Os bovinos habitam o Pantanal grande parte de suas vidas e são transferidos para propriedades certificadas onde são finalizados antes do abate.
Embora a raça Nelore ainda seja a mais comum por sua adaptação, há um aumento no uso de cruzamentos que potencializam o desempenho, sempre respeitando a capacidade do bioma. Essas melhorias, associadas a novas técnicas de manejo, permitem ciclos mais curtos de produção, aumentando a quantidade de carne gerada sem pressão excessiva sobre os recursos naturais.
Certificação e Visibilidade de Mercado
A ABPO está também se empenhando em reforçar a visibilidade da carne certificada junto aos consumidores. Recentemente, foi lançado um selo próprio para identificação da carne produzida sob métodos sustentáveis ou orgânicos, com o objetivo de aumentar sua presença no mercado, similar ao que já ocorre com o café certificado.
✨ A expectativa é que a carne sustentável e com origem certificada ganhe mais espaço nas prateleiras do mercado, atendendo a uma demanda crescente por produtos responsáveis.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Agronegócio

Beef on Dairy transforma vacas leiteiras no Rio Grande do Sul
Cruzamento entre Holandesa e Angus gera carne de alto valor

Estiagem exige cuidados nas fazendas, afirma engenheiro agrônomo
Consultor alerta sobre a importância de ações de manutenção durante a seca

Flávia Cid transforma fazenda em referência de óleos essenciais no PR
Empresária ganha destaque no setor ao implementar práticas inovadoras

Brasil enfrenta perdas devastadoras na safra de soja devido ao calor
Calor extremo afeta agricultura, pecuária e traz consequências drásticas





