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Fazenda Lagoa do Sino inova na agricultura orgânica em São Paulo

Cultivo sustentável busca transformar a produção agrícola no Brasil

Fernanda Lima13 de abril de 2026 às 11:30
Fazenda Lagoa do Sino inova na agricultura orgânica em São Paulo

As lavouras de milho na fazenda escola Lagoa do Sino, localizada em Buri, São Paulo, têm gerado discussões sobre a sustentabilidade agrícola. Apesar de suas folhas amareladas e sinais de insetos, o cultivo completamente orgânico está traçando o caminho para inovações na agricultura tropical brasileira.

Alberto Luciano Carmassi, diretor da fazenda, destaca a singularidade do clima local, que favorece um potencial inexplorado para o desenvolvimento agrícola. A fazenda, com 643 hectares e 400 dedicados ao plantio, está sob a administração da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) há uma década, após a doação do escritor Raduan Nassar.

Essa fazenda pretende ser um modelo de referência em agricultura orgânica e regenerativa.

Historicamente, Nassar utilizou métodos de produção convencionais que priorizavam insumos químicos, uma abordagem que impulsionou a produtividade agrícola no passado, mas não beneficiou todos os produtores. Carmassi questiona a viabilidade econômica desse modelo para pequenos agricultores diante das crescentes dívidas.

Desafios da Agricultura Moderna

A nova administração busca formas inovadoras de minimizar custos e gerar renda sustentavelmente para os pequenos agricultores.

O projeto 'Transição Tropical' envolve 80 professores que visam fazer da Lagoa do Sino um exemplo em agricultura sustentável, alinhando-se ao desejo de Nassar por promover a agricultura familiar e a segurança alimentar na região. Apesar de ser uma das áreas agrícolas mais ricas do Brasil, Buri apresenta baixos índices de desenvolvimento humano, um fator que a iniciativa visa mudar.

A gestão enfrenta diversos obstáculos, como o uso de maquinaria afetada por plantas espontâneas. Professor Waldir Cintra de Jesus Junior, coordenador do trabalho agropecuário, menciona a ausência de bioherbicidas como um grande desafio no cultivo.

Alternativas estão sendo testadas, como protótipos de máquinas para erradicação do crescimento indesejado e o uso de plantas de cobertura, objetivando diminuir a diversidade de sementes no solo, com um enfoque de aprendizado contínuo no cultivo.

A pesquisa sobre bioinsumos e suas aplicações é fundamental para o combate a pragas. Professora Roberta Barros Lovaglio salienta que a pesquisa busca reintroduzir vida ao solo por meio de microrganismos, envolvendo um projeto que isola microorganismos de diferentes biomas brasileiros para uso na agricultura.

Na nutrição das plantas, a compostagem local, aliada ao uso de cama de frango, tem sido eficaz. Com a expansão da área plantada, a necessidade de compostagem aumentará significativamente nos próximos anos, juntamente com a introdução de 25 bovinos que complementam o solo com nutrientes essenciais.

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A associação entre agricultura e pecuária orgânica mostra-se vantajosa, especialmente durante períodos de seca, resultando em benefícios mútuos para ambos os sistemas.

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