Setor registra retração acumulada de 1% em 2026, refletindo fatores econômicos.

A produção da agroindústria no Brasil enfrentou uma contração de 2,7% em agosto em comparação ao mesmo mês do ano passado, resultando em um total acumulado de 1% de retração em 2026. Esses dados são provenientes do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), calculado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV, conhecido como FGV Agro.
De acordo com o FGV Agro, o desempenho negativo reflete as condições macroeconômicas e a cautela dos agentes econômicos em relação às eleições. "A reversão ou o aprofundamento desse movimento de desaceleração parece estar cada vez mais associado aos resultados das urnas", indica o boletim.
✨ A queda da produção já representa a terceira consecutiva desde maio, motivada por fatores como a alta taxa de juros e a limitação da renda disponível nos lares.
A produção de produtos alimentícios e bebidas caiu 0,3%, enquanto os produtos não alimentícios apresentaram uma queda ainda maior de 5,4%. No setor alimentar, a indústria de alimentos de origem vegetal teve uma queda de 1,4%, impactada pela diminuição na fabricação de conservas, sucos, e produtos de moagem de trigo e açúcar refinado. Além disso, a indústria de alimentos de origem animal também sofreu queda de 0,8%, devido à redução na produção de carne bovina e pescados.
As exportações de carne bovina para a China começaram a sentir os efeitos do esgotamento da cota chinesa, registrando uma queda de 89,9% em agosto. Apesar disso, a indústria de bebidas teve um desempenho positivo, com um crescimento de 4,4% em sua produção.
Os produtos não alimentícios também enfrentaram desafios, com uma contração de 5,4%, a maior desde 2020, especialmente pela diminuição na produção de insumos agropecuários, que caiu 18,3%, refletindo a escassez de insumos devido à guerra no Oriente Médio. A atividade em indústrias de produtos têxteis e de fumo também apresentou quedas significativas.
Por outro lado, houve um aumento na produção de biocombustíveis e produtos florestais, com a fabricação de biocombustíveis crescendo 6,4%, impulsionada pela maior moagem de cana-de-açúcar e aumento na produção de etanol de milho.
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