Tecnologia e irrigação transformam lavouras, mas mercado continua desafiador para produtores.

A produção de feijão em Goiás viu uma melhora significativa com a redução do ICMS e a aplicação de tecnologia na irrigação em Cristalina. Esse cenário tem permitido resultados expressivos, apesar de barreiras que ainda limitam o avanço da cultura.
Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Goiás deve encerrar a safra 2025/26 com uma produção estimada de 299 mil toneladas de feijão, apresentando um crescimento de 3,1% em relação ao ciclo anterior. O estado ocupa a quinta posição entre os maiores produtores do Brasil, respondendo por cerca de 14% da produção nacional.
✨ A alíquota do ICMS sobre o feijão caiu de 6% para 2,4%, melhorando a competitividade de Goiás no mercado.
Apesar da queda na produtividade estimada, que passou de 2.432 para 2.354 quilos por hectare, o crescimento da área plantada, que subiu de 119,2 mil hectares para 127 mil hectares, garantiu uma produção maior. O analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), Vilmar Eurípedes da Silva, chama atenção para os riscos envolvidos na produção de feijão, principalmente devido à volatilidade dos preços.
Cristalina serve como um exemplo positivo, onde o uso de irrigação e tecnologia resultou em altas produtividades. O presidente da Associação Brasileira dos Consultores de Feijão (ABC Feijão), Renato Caetano, destaca que cerca de 35 mil hectares são cultivados anualmente na região, com uma boa parte sendo irrigada.
Apesar dos resultados expressivos, a queda nos preços do produto, que passou de R$ 400 para R$ 230 por saca de 60 kg, evidencia a insegurança do mercado. A alta produtividade, portanto, nem sempre se traduz em rentabilidade para os produtores.
Para alcançar essas produtividades, é crucial um manejo rigoroso durante todo o ciclo, desde a escolha do período de plantio até o uso eficiente de insumos. A assistência técnica, além do uso da irrigação, é fundamental para garantir resultados positivos.
Embora Goiás tenha potencial de ampliar sua produção, a falta de infraestrutura adequada para irrigação e os desafios relacionados ao acesso à água e energia ainda representam obstáculos significativos.
A recente queda do ICMS é um passo positivo, atraindo compradores de outras regiões e melhorando as condições de venda, mas o setor ainda precisa de mais investimentos em infraestrutura e segurança de mercado para se expandir adequadamente.
A diversificação para mercados internacionais, como a produção de feijões especiais, é uma possibilidade que Goiás busca explorar. Isso requer um produto de qualidade, que atenda a normas rigorosas de comercialização, além de uma estrutura que assegure a competitividade no mercado.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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