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Agronegócio
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Produção de trigo no Brasil recua 16% para 6,6 milhões de toneladas

Incertezas climáticas e aumento dos custos impactam safra.

Gabriel Azevedo14 de abril de 2026 às 12:05
Produção de trigo no Brasil recua 16% para 6,6 milhões de toneladas

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou que a produção de trigo no Brasil para a safra atual está projetada em 6,616 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 16% em relação ao ciclo anterior.

Essa diminuição é atribuída principalmente à redução de 4,2% na área plantada, comparada à projeção de março. Felippe Serigati, economista da FGV Agro, aponta que as incertezas climáticas e o aumento nos custos de produção, com especial foco nos fertilizantes, são fatores determinantes para essa queda.

A safra de inverno é particularmente vulnerável a pressões de custos e insumos.

Barbosa, presidente da Abitrigo, garante que a diminuição da produção não impactará significativamente o abastecimento interno, já que o Brasil tem a opção de importar trigo para atender à demanda. Ele afirma: "O Brasil não tem problema de abastecimento" e ressalta que o mercado internacional ainda possui oferta.

No entanto, o aumento dos custos de importação preocupa a indústria, especialmente devido a taxas sobre o trigo importado e os altos preços do petróleo e transporte. A recente alteração na Lei Complementar nº 224/2025, que reestabeleceu impostos sobre o trigo importado, agrava este cenário.

Além da questão tributária, a qualidade do trigo argentino, maior fornecedor para o Brasil, também está afetando a capacidade de importação. Com a deterioração da qualidade do produto argentino, o Brasil busca alternativas em outros mercados, como os Estados Unidos, Canadá e Rússia, que oferecem grãos de melhor qualidade.

A indústria enfrenta um desafio adicional ao tentar equilibrar o aumento de custos sem repassar tudo ao consumidor final. Moinhos estão implementando cortes de despesas para mitigar os impactos financeiros, mas, à medida que novas aquisições são feitas a preços mais altos, há a expectativa de um aumento nos custos da farinha.

A redução na oferta pode levar a uma alta nos preços de produtos como pão e massas. Contudo, Serigati alerta que este efeito não é exclusivo da produção brasileira. Outros fatores, como preços de combustíveis e o comércio internacional, também impactam os custos antes mesmo da colheita no Brasil.

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