Produtores brasileiros de alho pedem proteção contra importações baratas
Criadores enfrentam queda na área plantada devido à concorrência externa

Os produtores de alho do Brasil estão enfrentando um cenário adverso devido à concorrência com importações de alho a preços muito baixos, especialmente da China e Argentina. Para lidar com a situação, eles estão solicitando ao governo medidas para restringir essas importações.
Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), a importação desses produtos está afetando diretamente a rentabilidade do setor agrícola nacional, levando os produtores a planejarem uma redução de 21% na área plantada neste ano, totalizando 11 mil hectares.
✨ O alho importado da China está sendo vendido abaixo do custo de produção no Brasil, o que prejudica diretamente os agricultores locais.
Nesta semana, a Anapa pretende pedir ao Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) a revogação do compromisso de preço mínimo que se aplica ao alho provenientes de quatro empresas chinesas. Estas entidades possuem o preço fixado em US$ 15,80 por caixa de 10 quilos, enquanto o custo nacional é de cerca de US$ 25 por caixa.
Rafael Corsino, presidente da Anapa, criticou esse compromisso, afirmando que ele desincentiva o cultivo nacional. Além disso, a entidade também pretende apresentar queixas sobre o alho importado da Argentina, que está sendo vendido a preços inferiores ao seu custo de produção, estimado em US$ 18 por caixa.
Contexto
O Brasil consome cerca de 320 mil toneladas de alho anualmente, mas apenas 170 mil toneladas são produzidas internamente. A maior parte da produção nacional vem de Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em 2025, 60% do alho importado era da Argentina e 36% da China.
Entre janeiro e abril de 2026, as importações de alho caíram 5,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 62,4 mil toneladas, o que representa uma queda de 15,9% em valor, para US$ 77 milhões.
"O antidumping é necessário já
Produtores de diferentes regiões do Brasil relataram que a situação atual é alarmante, pois além de reduzir o tamanho da área plantada, muitos enfrentam perdas financeiras significativas, como é o caso de Jaime Menegon, que passou de 14 para 4 hectares.
A realidade é semelhante para Everson Tagliari, que teve que vender sua colheita abaixo do custo de produção. Para 2026, a Associação Catarinense dos Produtores de Alho projeta uma redução na área plantada de 850 para 700 hectares.
Além da luta por medidas antidumping, os agricultores estão tentando se adaptar ao novo cenário com produtos de maior valor agregado. A Akio Produtos Alimentícios, por exemplo, busca intensificar a venda de alho em diferentes formatos.
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