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Agronegócio
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Produtores de alho pedem antidumping contra importações argentinas

Concorrência desleal ameaça cultivo nacional devido a baixo custo argentino

Tiago Abech18 de abril de 2026 às 07:25
Produtores de alho pedem antidumping contra importações argentinas

Produtores brasileiros de alho estão preparando um pedido de antidumping para combater a entrada do alho argentino no Brasil, que acontece sem a cobrança de tarifas devido a acordos do Mercosul.

Francisco Vilela Resende, pesquisador da Embrapa Hortaliças, destaca que o alho argentino é produzido a um custo muito menor e em condições climáticas mais favoráveis, o que prejudica a competitividade do alho nacional.

A produção de alho no Brasil requer tecnologias que elevam os custos, especialmente no Cerrado, onde investimentos em infraestrutura são necessários para viabilizar a cultura.

Resende explica que na Argentina, a produtividade do alho é maior, com menos necessidade de irrigação, enquanto os produtores brasileiros enfrentam custos adicionais com câmaras frias e outras tecnologias. A situação é particularmente difícil para municípios do Sul do Brasil, como Frei Rogério, em Santa Catarina, que estão em crise devido aos preços extremamente baixos dos produtos argentinos.

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A produção argentina entra praticamente sem nenhuma barreira por causa do Mercosul desde o início da década de 1990. Brincamos que Mendoza é um dos maiores estados produtores de alho do Brasil.

Duas inovações tecnológicas têm feito a diferença na produção de alho brasileiro: a vernalização e a semente livre de vírus. A vernalização é um método que simula condições de inverno para melhorar a produtividade, enquanto as sementes livres de vírus garantem safras mais saudáveis.

Contexto

As sementes livres de vírus são produzidas em ambientes controlados, o que encarece o seu custo. Para se ter uma ideia, cada dente de alho dessas sementes pode custar entre R$ 0,50 e R$ 0,60, e cada hectare exige cerca de 400 mil plantas.

Apesar das dificuldades, a adoção dessas tecnologias tem permitido a produtores, tanto grandes quanto pequenos, aumentar a produtividade, chegando a médias de 16 toneladas por hectare e até mais para os mais tecnificados.

Na Argentina, o alho é cultivado ao ar livre nas regiões andinas, onde as condições são favoráveis, e as variedades utilizadas no Brasil passaram por seleção cuidadosa em instituições como a Embrapa.

As variedades rústicas, menos exigentes em termos de clima e adubação, são comuns na agricultura familiar, embora tenham uma aceitação limitada no mercado formal devido à sua aparência menos atrativa.

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