Concorrência desleal ameaça cultivo nacional devido a baixo custo argentino

Produtores brasileiros de alho estão preparando um pedido de antidumping para combater a entrada do alho argentino no Brasil, que acontece sem a cobrança de tarifas devido a acordos do Mercosul.
Francisco Vilela Resende, pesquisador da Embrapa Hortaliças, destaca que o alho argentino é produzido a um custo muito menor e em condições climáticas mais favoráveis, o que prejudica a competitividade do alho nacional.
✨ A produção de alho no Brasil requer tecnologias que elevam os custos, especialmente no Cerrado, onde investimentos em infraestrutura são necessários para viabilizar a cultura.
Resende explica que na Argentina, a produtividade do alho é maior, com menos necessidade de irrigação, enquanto os produtores brasileiros enfrentam custos adicionais com câmaras frias e outras tecnologias. A situação é particularmente difícil para municípios do Sul do Brasil, como Frei Rogério, em Santa Catarina, que estão em crise devido aos preços extremamente baixos dos produtos argentinos.
"A produção argentina entra praticamente sem nenhuma barreira por causa do Mercosul desde o início da década de 1990. Brincamos que Mendoza é um dos maiores estados produtores de alho do Brasil.
Duas inovações tecnológicas têm feito a diferença na produção de alho brasileiro: a vernalização e a semente livre de vírus. A vernalização é um método que simula condições de inverno para melhorar a produtividade, enquanto as sementes livres de vírus garantem safras mais saudáveis.
As sementes livres de vírus são produzidas em ambientes controlados, o que encarece o seu custo. Para se ter uma ideia, cada dente de alho dessas sementes pode custar entre R$ 0,50 e R$ 0,60, e cada hectare exige cerca de 400 mil plantas.
Apesar das dificuldades, a adoção dessas tecnologias tem permitido a produtores, tanto grandes quanto pequenos, aumentar a produtividade, chegando a médias de 16 toneladas por hectare e até mais para os mais tecnificados.
Na Argentina, o alho é cultivado ao ar livre nas regiões andinas, onde as condições são favoráveis, e as variedades utilizadas no Brasil passaram por seleção cuidadosa em instituições como a Embrapa.
As variedades rústicas, menos exigentes em termos de clima e adubação, são comuns na agricultura familiar, embora tenham uma aceitação limitada no mercado formal devido à sua aparência menos atrativa.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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