Queda na produção ocorre devido a condições climáticas adversas.

A produção de trigo no Paraná deve cair 10% nesta safra, totalizando 2,13 milhões de toneladas, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). A retração se dá após a produtividade prevista diminuir de 54 para 49 sacas por hectare, em razão de temperaturas elevadas e chuvas excessivas nos meses de agosto e setembro.
Com a área cultivada estimada em 727 mil hectares, a expectativa é que a colheita2026 de 2,13 milhões de toneladas fique abaixo das 2,37 milhões de toneladas inicialmente projetadas em um cenário de produtividade normal. A principal atualização das previsões das safras paranaenses em setembro foi a diminuição da produtividade do trigo.
✨ O aumento dos preços do trigo, impulsionado pela redução da produção e pelas cotações internacionais, tem beneficiado os produtores, mas eleva os custos para a fabricação de farinhas.
Com a colheita avançada, os preços do trigo continuam em patamares superiores aos de entressafra. Apesar de favores para os produtores, a valorização do produto traz desafios para os moinhos, que diante da escassez de grãos de qualidade local, precisarão buscar suprimentos em outras regiões.
O Rio Grande do Sul é a única alternativa nacional onde a oferta deve exceder a demanda. Após a exaustão dessa fonte, Paraguai e Argentina poderão fornecer trigo à indústria paranaense. Em 2025, os moinhos paranaenses foram responsáveis por 30% da produção nacional de farinhas, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).
As informações obtidas no campo pelo Deral são cruciais para atualizar as estimativas de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Contudo, os dados paranaenses não devem impactar significativamente as estimativas nacionais, que já estão alinhadas com os números mais recentes do Deral.
A produção brasileira de trigo está projetada para 5,7 milhões de toneladas, 27% a menos que na safra anterior. Essa previsão resulta na combinação da menor produtividade no Paraná, uma oferta regional restrita e a necessidade de buscar trigo em outros mercados para suprir a indústria. Enquanto a valorização do trigo pode compensar perdas para os produtores, representa um desafio maior para os moinhos na obtenção da matéria-prima.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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