Dados da CEEMA indicam queda no peso hectolítrico e aumento na umidade do cereal

Os problemas de qualidade do trigo colhido no Brasil têm alterado as negociações entre produtores, comerciantes e indústrias moageiras, com uma maior diferenciação dos preços conforme as características dos lotes.
Um levantamento realizado pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA) revela que, entre 1º de agosto e 13 de outubro, apenas 23,2% das medições atenderam ao peso hectolítrico (PH) mínimo de 78 kg/hl, um critério que classifica o cereal como Tipo 1.
✨ Esse percentual é substancialmente menor do que os 72% registrados no mesmo período de 2025.
Os dados, coletados pela Motomco a partir de mais de 112 mil medições, mostram que o peso hectolítrico médio caiu de 80,2 kg/hl no ano anterior para 74,2 kg/hl em 2026. Este indicador é essencial para avaliar as qualidades físicas do trigo, impactando sua classificação comercial.
Além da queda no PH, foi observada umaumento na umidade mediana do cereal, que subiu de 14,2% para 15,9% ano a ano, com o Paraná apresentando a maior umidade mediana de 16,4%.
Esses resultados acentuam as preocupações do setor sobre as condições do trigo durante a colheita e seus efeitos nas operações comerciais.
Os preços do trigo Tipo 1 com PH 78 estão próximos de R$ 1.750 por tonelada CIF Curitiba. Para lotes com PH 75 e Falling Number de 200 segundos, as referências estão em torno de R$ 1.500 por tonelada, enquanto o trigo com PH 73 está perto de R$ 1.250 por tonelada.
O boletim da CEEMA destaca que esses valores não constituem uma tabela oficial de descontos ou condições comerciais universais.
A deterioração da qualidade levou as indústrias a avaliarem as características de cada lote com mais atenção, e o trigo que não atende às especificações para moagem pode perder valor ou ser direcionado para outros usos, como alimentação animal.
Até 19 de outubro, a colheita no Paraná alcançou 82% da área, mas com perdas significativas na qualidade do cereal.
O Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR) expressa preocupação sobre a reta final da colheita, tendo em vista a relevância do estado para o processamento industrial. O Paraná é responsável por 30% da produção nacional de farinha de trigo, com uma moagem de 3,85 milhões de toneladas por safra.
No Rio Grande do Sul, a colheita também apresenta um avanço lento, com 19% da área colhida até 22 de outubro, que é abaixo da média histórica de 22%.
No mercado, os preços do trigo de qualidade superior permaneceram estáveis, mas com uma leve tendência de queda devido à nova colheita. As principais praças gaúchas registram valores de R$ 73,00 por saca, enquanto no Paraná, os preços estão em R$ 79,00.
Apesar das dificuldades em relação à qualidade do cereal, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção total de 5,7 milhões de toneladas de trigo, com o Paraná contribuindo com 2,16 milhões e o Rio Grande do Sul com 2,26 milhões de toneladas.
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