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Agronegócio
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Queda no crédito rural impacta investimento e modernização no Brasil

Juros altos e incertezas agravam cenário do agronegócio em 2026

Mariana Souza20 de maio de 2026 às 08:45
Queda no crédito rural impacta investimento e modernização no Brasil

A diminuição expressiva do crédito rural em abril de 2026 revela um panorama desafiador para o setor agrícola brasileiro, sinalizando um ambiente de cautela em resultado dos altos juros, escassez de recursos e adiamento de investimentos.

De acordo com Claudio Brisolara, especialista em agronegócio, o Relatório de Acompanhamento Mensal do Crédito Rural do Sistema Faesp/Senar expõe uma situação preocupante. Entre julho de 2025 e abril de 2026, o Plano Safra 2025/26 disponibilizou R$ 277,9 bilhões, o que representa apenas 68,5% dos R$ 405,9 bilhões previstos.

Comparado ao mesmo período da safra anterior, o montante liberado teve uma queda de 11,2%.

O ticket médio também experimentou uma diminuição de 14,1%, passando de R$ 167 mil para R$ 143 mil por contrato. Por outro lado, o número total de contratos aumentou em 3,5%, com foco nos menos volumosos.

Em contrapartida, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) se destacou positivamente, com um aumento de 2,4%, e o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) avançou 1,9%. Já os demais produtores, que são a principal fonte de recursos, enfrentaram uma queda significativa de 17,9% em volume e 38,3% em contratos.

A consequência é uma elevação de 33% no ticket médio desse grupo, o que indica maior seletividade e uma tendência a operações de maior valor.

Preocupações aumentam com a redução de 18,5% nos programas de investimento, sinalizando adiamentos em tecnologia e modernização no campo.

Programas como Moderfrota e Proirriga sofreram quedas acentuadas de 54,8% e 56,2%, respectivamente. Além disso, tanto Inovagro quanto Moderagro apresentaram reduções de 37% em volume e 60% em contratos.

Em São Paulo, os dados são igualmente alarmantes. O estado registrou R$ 27,2 bilhões em desembolsos, equivalendo a apenas 9,8% do total nacional, com uma queda de 6,5% no valor e redução de 15,3% nos contratos.

O custeio e investimento em São Paulo também diminuíram, com quedas de 14,7% e 27,7%, respectivamente. Esse cenário é ainda mais tumultuado por taxas de juros de 12,03% ao ano e uma inadimplência de 12,69% nestas operações, somada a uma Selic que está em 14,5%.

Com a valorização do dólar abaixo de R$ 5,00, os preços das commodities em baixa e custos operacionais em alta, o setor rural está priorizando sua sobrevivência em um momento em que a modernização é quase inatingível devido à insegurança e incerteza.

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