Queda no crédito rural impacta investimento e modernização no Brasil
Juros altos e incertezas agravam cenário do agronegócio em 2026

A diminuição expressiva do crédito rural em abril de 2026 revela um panorama desafiador para o setor agrícola brasileiro, sinalizando um ambiente de cautela em resultado dos altos juros, escassez de recursos e adiamento de investimentos.
De acordo com Claudio Brisolara, especialista em agronegócio, o Relatório de Acompanhamento Mensal do Crédito Rural do Sistema Faesp/Senar expõe uma situação preocupante. Entre julho de 2025 e abril de 2026, o Plano Safra 2025/26 disponibilizou R$ 277,9 bilhões, o que representa apenas 68,5% dos R$ 405,9 bilhões previstos.
✨ Comparado ao mesmo período da safra anterior, o montante liberado teve uma queda de 11,2%.
O ticket médio também experimentou uma diminuição de 14,1%, passando de R$ 167 mil para R$ 143 mil por contrato. Por outro lado, o número total de contratos aumentou em 3,5%, com foco nos menos volumosos.
Em contrapartida, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) se destacou positivamente, com um aumento de 2,4%, e o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) avançou 1,9%. Já os demais produtores, que são a principal fonte de recursos, enfrentaram uma queda significativa de 17,9% em volume e 38,3% em contratos.
A consequência é uma elevação de 33% no ticket médio desse grupo, o que indica maior seletividade e uma tendência a operações de maior valor.
✨ Preocupações aumentam com a redução de 18,5% nos programas de investimento, sinalizando adiamentos em tecnologia e modernização no campo.
Programas como Moderfrota e Proirriga sofreram quedas acentuadas de 54,8% e 56,2%, respectivamente. Além disso, tanto Inovagro quanto Moderagro apresentaram reduções de 37% em volume e 60% em contratos.
Em São Paulo, os dados são igualmente alarmantes. O estado registrou R$ 27,2 bilhões em desembolsos, equivalendo a apenas 9,8% do total nacional, com uma queda de 6,5% no valor e redução de 15,3% nos contratos.
O custeio e investimento em São Paulo também diminuíram, com quedas de 14,7% e 27,7%, respectivamente. Esse cenário é ainda mais tumultuado por taxas de juros de 12,03% ao ano e uma inadimplência de 12,69% nestas operações, somada a uma Selic que está em 14,5%.
Com a valorização do dólar abaixo de R$ 5,00, os preços das commodities em baixa e custos operacionais em alta, o setor rural está priorizando sua sobrevivência em um momento em que a modernização é quase inatingível devido à insegurança e incerteza.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Agronegócio

Soja tem alta nas cotações internacionais e desafios locais
Recuperação nos preços revela contrastes na produção brasileira

China reduz expectativa de compras de soja nos EUA e grãos caem
A queda nas projeções pressiona os preços na Bolsa de Chicago

Anec aumenta previsão de exportações de soja para 15,99 milhões de toneladas
Projeção reflete crescimento significativo em relação ao ano passado

Ana Paula Repesa é a nova presidente da Crop Life Brasil
Executiva busca promover o diálogo e inovação no agronegócio





