Lideranças do setor destacam desafios e a importância de políticas públicas na nova gestão.

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi recebida positivamente por representantes da agricultura familiar, que veem nisso uma garantia para a continuidade das políticas públicas voltadas a esse segmento. Essas ações foram retomadas na atual gestão após um hiato durante os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PL), e incluem a manutenção do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Por outro lado, lideranças do agronegócio, maioria apoiadora de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições, expressaram descontentamento, especialmente em relação à política fiscal do novo governo. Eles alertam para os riscos que a continuidade de elevados gastos públicos representa para a economia, o que, segundo eles, influencia diretamente nas taxas de juros e nos negócios do campo.
✨ Os pequenos, médios e grandes produtores concordam que Lula enfrentará desafios imediatos e de longo prazo na nova gestão, especialmente no que diz respeito ao custo dos insumos, como o óleo diesel.
Vânia Marques, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Contag), ressaltou que a reeleição de Lula é um sinal de que as políticas voltadas à agricultura familiar, como o Plano Safra, voltarão a ser priorizadas. Marques enfatizou a necessidade de uma ampliação do orçamento federal e de ações consolidadas de assistência técnica e extensão rural, visando também a criação de um sistema único para essas políticas.
As preocupações do setor vão além da implementação de políticas; há um apelo urgente por soluções que abordem o endividamento rural e o impacto das mudanças climáticas na produção. Os produtores também anseiam pela revisão das taxas de juros e pela implementação de um seguro agrícola eficaz, crucial para um setor que enfrenta incertezas climáticas.
Eugênio Zanetti, presidente da Fetag-RS, sublinhou a necessidade de um "olhar diferenciado" para o agropecuário, pedindo atenção ao alto nível de endividamento e à necessidade de uma política agrícola que funcione adequadamente. O otimismo também se fez presente com a confirmação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o que, segundo Zanetti, é um alívio ante possíveis modificações nas regras da aposentadoria rural.
O presidente da Abag, Ingo Plöger, fez um apelo para que o novo governo busque uma pacificação e diálogo efetivo entre os setores da sociedade, destacando a necessidade de um planejamento de longo prazo para a agroindústria.
A CropLife, representando a indústria de insumos no Brasil, saudou a reeleição de Lula, enfatizando a necessidade de um foco em inovação e na competitividade da agricultura brasileira, além de reafirmar o compromisso com a construção de políticas que promovam o desenvolvimento do agronegócio.
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