Estudo da Bayer indica que falta de acesso a inovações pode afetar competitividade

A União Europeia e o Reino Unido enfrentam o risco de um atraso ainda maior em relação a concorrentes agrícolas como Estados Unidos, Brasil, China, Canadá e Índia, a menos que os agricultores tenham acesso mais rápido a inovações que ajudem a enfrentar as crescentes pressões climáticas e de produtividade.
Essas conclusões são parte de um relatório encomendado pela Bayer, que combina uma análise econômica feita pela Oxford Economics com dados de mais de 8 mil consumidores e entrevistas com agricultores em oito países europeus. O estudo revelou que, entre 2011 e 2023, o crescimento da produção agrícola na Europa foi de apenas 0,1% ao ano, em contraste aos 1% nos EUA, 2% na média global e entre 2% a 3% na China, Canadá e Índia. O Brasil se destaca com um crescimento médio de 3,3% no mesmo período.
✨ Os riscos climáticos já causam perdas anuais estimadas em 17,4 bilhões de euros, o que corresponde a 6,4% da produção agrícola da UE.
De acordo com a pesquisa, os agricultores europeus competem com produtores de regiões que têm acesso a uma gama mais ampla de tecnologias de sementes, soluções de proteção de culturas e tecnologias digitais, ou que conseguem acessar inovações mais rapidamente. Um melhor acesso a tecnologias modernas é considerado essencial para enfrentar os desafios climáticos e geopolíticos, além de fortalecer a competitividade do setor.
A pesquisa também revela que os agricultores estão cada vez mais preocupados com a limitação das opções disponíveis. No início dos anos 2000, mais de 1.000 ingredientes ativos foram autorizados na UE, mas atualmente restam cerca de 420 aprovados. Nos últimos sete anos, houve perda de 92 ingredientes ativos, enquanto apenas um novo ingrediente sintético foi introduzido no mercado nesse período.
Enquanto isso, o Reino Unido aprovou quatro ingredientes ativos novos desde 2022, que ainda estão em processo de aprovação ou não foram aprovados na UE. O país manteve também a aprovação de 15 ingredientes ativos de proteção de culturas que expiraram ou foram proibidos na UE após o Brexit. Contudo, possíveis alinhamentos com a regulamentação da UE, atualmente em discussão, podem anular essas aprovações, afetando a produtividade e a renda dos agricultores se não forem geridas com cautela.
A pesquisa destaca a necessidade urgente de um ambiente regulatório mais previsível e adequado, que incentive a inovação enquanto mantém elevados padrões de segurança e gestão responsável. Os longos processos de revisão legislativa, o aumento dos encargos administrativos e a adoção lenta de novas tecnologias foram apontados como as principais barreiras ao acesso a inovações na agricultura europeia.
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