Mudanças na estrutura do seguro rural são debatidas por especialistas.

Seguradoras estão repensando suas ofertas e considerando a introdução do seguro de renda para combater a crise atual que afeta o agronegócio, caracterizada pela redução nos preços das commodities e adversidades climáticas.
Durante o World Climate Summit, o presidente da comissão rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Daniel Nascimento, afirmou que a retomada do seguro de renda é crucial para diversificar os produtos disponíveis no mercado, fazendo frente a desafios como custos elevados e juros altos.
A modalidade de seguro de renda havia sido descontinuada após a safra 2020/21 devido a altos índices de indenização pagos pelas seguradoras na época. No entanto, agora é vista como uma oportunidade de inovação em um mercado que busca novos serviços e soluções.
✨ “É uma forma de não colocar todos os ovos na mesma cesta”, diz Nascimento, ao enfatizar a necessidade de diversificação entre as seguradoras.
O especialista também propôs que o governo melhore as parcerias público-privadas e desenvolva um banco de dados mais robusto para apoiar novos produtos de seguro rural. A falta de dados específicos, especialmente na contratação por talhão, é um entrave significativo.
Guilherme Bastos, coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), acrescentou que a inteligência artificial poderia auxiliar na análise de dados, ampliando a oferta de seguros a diversas culturas além dos grãos, fazendo o seguro rural mais atraente aos agricultores em todo o Brasil.
A ausência de recursos previsíveis para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é um dos principais desafios enfrentados pelo setor. A recente queda no orçamento do PSR, devido a cancelamentos e bloqueios, limitou ainda mais o acesso ao seguro para os agricultores.
Bastos destacou a necessidade de flexibilizar a abordagem em relação ao Plano Safra, enfatizando a importância da adoção de instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural, como parte integrante das políticas governamentais.
O levantamento da FenSeg aponta que até maio deste ano, as contratações de seguro rural já apresentavam uma queda de 13,9% em comparação ao ano anterior, refletindo a dificuldade dos agricultores em acessar esses mecanismos de proteção.
Durante o evento, João Adrien, head de ESG Agro do Itaú BBA, enfatizou a urgência de expandir as estratégias de mitigação de riscos e reavaliar a estrutura do Plano Safra para evitar a inadimplência crescente entre os agricultores.
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