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Agronegócio
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Seguro rural em baixa no Paraná: impacto na agricultura local

Produtores enfrentam dificuldades com aumento nos custos e queda na cobertura.

Giovani Ferreira26 de maio de 2026 às 14:15
Seguro rural em baixa no Paraná: impacto na agricultura local

Cevio Alberto Mengarda, produtor de soja e milho em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, enfrenta dificuldades em contratar seguros rurais, uma mudança drástica em relação à prática incentivada por seu pai. O agravamento das condições climáticas e os atrasos no pagamento de subsídios governamentais tornaram esses seguros muito caros e menos atrativos.

Os números refletem uma significativa retração do seguro rural no Paraná. Conforme aponta a Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNseg), a receita do setor caiu de R$ 2,3 bilhões em 2022 para R$ 1,9 bilhão em 2025, marcando um recuo de 17%. Além disso, o número de apólices despencou de 82 mil em 2021 para apenas 26 mil em 2025, uma queda alarmante de 68,3%.

A forte diminuição da adesão aos seguros rurais pode comprometer a produção alimentar no Paraná.

De acordo com o Sistema FAEP, essa diminuição acende um sinal de alerta, especialmente considerando as adversidades climáticas cada vez mais frequentes. O presidente do Sistema, Ágide Eduardo Meneguette, ressalta que a redução dos recursos para o Programa de Subvenção do Seguro Rural, promovida pelo governo, desestimula os agricultores e coloca a atividade agrícola em risco.

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O seguro rural é uma ferramenta fundamental que precisa ser valorizada e fomentada. Sem isso, a produção de alimentos fica descoberta

Ágide Eduardo Meneguette

Os dados orçamentários de 2025 exemplificam a preocupação: cerca de 42% dos recursos do programa foram bloqueados. Já em 2024, a execução proporcionou um valor quase 40% inferior ao que foi aprovado pelo Congresso. Mesmo os agricultores que ainda mantêm seguros mostram-se desanimados com a situação, como é o caso de Eduardo Martins, de Alvorada do Sul.

Martins afirma que as indenizações frequentemente não são suficientes para cobrir as perdas e que o aumento dos custos com seguros se torna um obstáculo para sua contratação. Para ele, um modelo que assegure uma renda justa ao produtor é essencial para garantir a sustentabilidade do setor rural.

O Encolhimento da Área Segurada

Os dados do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural também mostram que a área segurada no Paraná caiu drasticamente, de mais de 3,8 milhões de hectares em 2021 para somente 1,25 milhão em 2025, uma diminuição de 63,8%. Sem um seguro eficiente, os produtores ficam vulneráveis a riscos financeiros, e com a falta de subsídios, as contas não fecham.

Menos adesão aos seguros resulta em apólices mais caras, criando um ciclo vicioso.

Historicamente, os agricultores paranaenses lideram a contratação de seguros rurais no Brasil, mas esse cenário está mudando. Em 2024, foram registradas 45,8 mil apólices no estado, correspondente a 37,5% dos contratos firmados via PSR, enquanto a nível nacional a situação também é preocupante: a área segurada no Brasil caiu de 13,7 milhões de hectares em 2021 para 3,2 milhões em 2025.

Admilson Tavarez, um produtor de soja e milho no Centro-Norte do Paraná, destaca que, sem seguro, muitos agricultores enfrentam a dura realidade de vender patrimônio, como gado e equipamentos, para cobrir perdas. Ele explica que o custo atual é elevado e a cobertura insuficiente, além da dificuldade em acessar as subvenções governamentais.

Marcos Pires, de São Mateus do Sul, optou por não renovar seu seguro rural após seis anos devido aos altos custos. Ele menciona que o valor dos produtos caiu, enquanto os preços dos seguros subiram, uma refletindo uma situação econômica mais ampla. Ele também afirma que a atuação do Sistema FAEP oferece suporte à agricultura local, permitindo que os agricultores não estejam sozinhos nesse desafio.

Pires, que atuou no campo por 40 anos e contratou seguro por 25 anos, expressa sua insatisfação com as mudanças nas regras de cobertura, que frequentemente resultam em prejuízos para os agricultores. Muitas vezes, ao acionar o seguro, ele se depara com cláusulas contratuais que impedem a reivindicação, frustrando expectativas que deveriam estar garantidas.

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