Técnicos e produtores discutem impactos da deriva de herbicidas hormonais na viticultura durante evento na UFSM.

O seminário "Deriva de Herbicidas Hormonais: Evidências, impactos e caminhos para a Agricultura Gaúcha" foi realizado na manhã desta quinta-feira no Auditório do Colégio Politécnico da UFSM, reunindo técnicos e produtores para discutir os impactos da deriva de herbicidas hormonais na viticultura da região.
O evento foi aberto pelo técnico agrícola Alexandre Maia, que, em 2011, percebeu alterações nas videiras da Cooperativa Agrária São José, em Jaguari, incluindo folhas retorcidas e crescimento anormal. Ele constatou que esses sintomas ocorreram em mais de 50 vinhedos da região, levantando suspeitas sobre a deriva de herbicidas.
✨ De acordo com Maia, a área de vinhedos na cooperativa passou de mais de 120 hectares para menos de 70 hectares, refletindo uma queda de 50% na produtividade devido à redução da matéria-prima, impactando a operação da indústria.
Outra participante do seminário, a engenheira agrônoma Aline Fogaça, apresentou sua experiência com os danos causados em sua vinícola, a Velho Amâncio, em Itaara, que também começaram a ser percebidos em 2015, mas se agravaram significativamente desde 2023.
Durante as discussões na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Aline e outros produtores formaram a Aliança pela Fruticultura, uma entidade que visa aumentar a conscientização e discussão sobre os efeitos da deriva de herbicidas hormonais na agricultura.
Embora a questão seja reconhecida por muitos, há uma resistência em abordar o problema de forma mais ampla, conforme destacou o professor Gustavo Pinto da Silva, coordenador do evento. Ele ressaltou a necessidade de uma maior cobertura da mídia e investigações nesse campo, além da resistência existente em reconhecê-lo adequadamente.
O evento também incluiu uma apresentação sobre as iniciativas da Emater/RS relacionadas à capacitação de agricultores para uso seguro de herbicidas, destacando que desde a introdução de normas de capacitação em 2019, mais de 24 mil pessoas foram treinadas.
O seminário, transmitido ao vivo, simboliza um passo importante para a valorização da discussão sobre a deriva de herbicidas e seus impactos na agricultura, buscando soluções e maior visibilidade para essa questão.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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