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Agronegócio
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Setor apícola sofre com veto da UE a produtos brasileiros

Medidas da União Europeia geram preocupação entre exportadores de mel

Ricardo Alves13 de maio de 2026 às 18:40
Setor apícola sofre com veto da UE a produtos brasileiros

O setor apícola brasileiro enfrenta desafios após a União Europeia anunciar um veto a produtos de origem animal, impacto recebido com surpresa na indústria, segundo Renato Azevedo, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel). Ele destaca que as novas exigências são mais políticas do que técnicas.

Azevedo reforça que o Brasil se destaca como o principal produtor de mel orgânico do mundo, tornando difícil a associação entre o uso de antibióticos e o mel brasileiro. Apesar de poder contar com certificações que atestem a ausência de resíduos, a pressão para atender essas exigências pode elevar os custos de produção, preocupando muitos exportadores.

A União Europeia era vista como uma alternativa após as tarifas impostas pelos EUA.

Embora a União Europeia não represente a maior parte das exportações do setor, Azevedo expressa sua frustração, já que a região se tornara um destino prioritário por conta das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. 'A cultura de negociação na Europa combina melhor com a nossa, o que tornaria as conversas mais produtivas', explica.

Exportadores já envolvidos nas tratativas para levar mel ao continente aguardam novas definições, com alguns prontos para antecipar embarques antes das regras lançadas pela UE entrarem em vigor em setembro.

Azevedo reitera que, embora o cenário global possa parecer insignificante, o mercado europeu é vital para muitos produtores e a reabertura desse canal se faz urgente.

Recuperando-se de um passado difícil

O presidente da Abemel lembra que, em 2006, o setor já enfrentou um embargo semelhante, quando as importações de mel brasileiro foram suspensas pela UE devido a questões relacionadas a resíduos biológicos. Hoje, Azevedo acredita que existem evidências suficientes para garantir a qualidade e conformidade dos produtos.

Além disso, ele observa que o acordo entre Mercosul e União Europeia influenciou o atual cenário, com a competitividade e a qualidade dos produtos brasileiros sendo tornadas alvo de proteção por parte do mercado europeu.

Azevedo afirma que as barreiras não tarifárias, similares às tarifas comerciais, se intensificam e dificultam a importação quando olhamos o contexto das negociações entre o Brasil e seus parceiros comerciais.

Acompanhamento das negociações

Com o intuito de minimizar os impactos do veto, a Abemel está em contato com o Ministério da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. 'Estamos disponíveis para colaborar, mas esse é um momento de diálogo crucial entre os ministérios e as autoridades europeias', finaliza Azevedo.

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